O secretário da Associação Kafo, na aldeia de Bufati, setor de Sonaco, Lamine Djafuno, revelou, em entrevista ao jornal O Democrata, que a comunidade enfrenta dificuldades em quase todos os setores da vida social e económica, bem como graves carências em termos de infraestruturas.
Segundo o responsável, cerca de 350 crianças ficaram sem acesso ao ensino durante o último ano letivo devido à insuficiência de professores.
Lamine Djafuno afirmou que os poucos docentes colocados na zona chegam frequentemente atrasados às escolas e, por vezes, permanecem ausentes durante vários meses. Na sua opinião, esta situação resulta da falta de acompanhamento rigoroso por parte dos inspetores da educação e do Ministério da Educação Nacional, Ensino Superior e Investigação Científica. Além das dificuldades no setor da educação, o dirigente comunitário referiu que o setor de Sonaco enfrenta também sérios problemas no acesso aos serviços básicos de saúde.
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Apesar de existir um centro de saúde próximo da aldeia, continuam a ser registadas mortes preocupantes de grávidas e crianças, sobretudo devido às dificuldades de evacuação de doentes em estado crítico para a cidade de Gabú. Como alternativa, muitas famílias, com poucos recursos financeiros, recorrem ao transporte em motorizadas.
Djafuno explicou que muitas pessoas preferem procurar assistência médica em aldeias do Senegal, situadas junto à fronteira com a Guiné-Bissau, em vez de recorrer aos postos de saúde nacionais, incluindo o centro de saúde de Gabú.

“Recorremos ao Senegal, apesar de ficar mais distante do que Gabú. Temos consciência da distância que percorremos e dos riscos envolvidos, mas é a única alternativa que nos resta. Lá somos atendidos com mais rapidez, sentimo-nos mais confortáveis e recebemos medicamentos de qualidade. A aldeia senegalesa fica a cerca de 30 quilómetros daqui, mas o atendimento é rápido, enquanto no nosso país demora uma eternidade”, afirmou.
Segundo o líder comunitário, o centro de saúde local dispõe de apenas cinco técnicos e duas camas para atendimento ambulatório.
A região de Gabú conta com cinco setores administrativos e 19 áreas sanitárias. Contudo, os centros de saúde continuam a enfrentar diversos desafios relacionados com a escassez de materiais de trabalho, recursos humanos e condições adequadas de atendimento.
A aldeia, maioritariamente habitada por mandingas, dispõe de uma escola com apenas duas salas de aula, que funciona até à terceira classe. A infraestrutura foi construída por um grupo de jovens da comunidade e apresenta condições precárias.
A escola possui um comité de gestão e cobra uma taxa de matrícula de 500 francos CFA.
De acordo com Lamine Djafuno, o Estado colocou dois professores em Bufati, mas, durante o último ano letivo, apenas um deles frequentou regularmente a escola. Perante esta situação, os pais e encarregados de educação decidiram contratar um membro da comunidade para auxiliar o professor em funções, pagando-lhe através de uma contribuição mensal de 400 francos CFA por aluno.
Para terem acesso aos transportes mistos com destino à cidade de Gabú, os habitantes de Bufati precisam de percorrer cerca de um quilómetro até ao ponto de embarque e pagar 1.750 francos CFA pela viagem.
No que diz respeito ao abastecimento de água, Djafuno informou que a aldeia dispõe de duas eletrobombas antigas e que a comunidade aguarda a implementação de um projeto de perfuração de novos furos.
“Já recebemos garantias do projeto REDE para a construção de novos furos. A comunidade cumpriu a sua parte, realizando a escavação e cedendo o espaço necessário. Agora aguardamos a execução do projeto”, explicou.
Relativamente à segurança, o secretário da Associação Kafo explicou que a aldeia recorre ao posto policial de Mansadjamsempre que surgem conflitos que não podem ser resolvidos pelos líderes tradicionais.
Segundo o responsável, os litígios relacionados com a posse de terras são os mais frequentes, embora a maioria dos casos seja resolvida de forma amigável ou com a intervenção dos chefes tradicionais e líderes comunitários.
A população da aldeia ultrapassa os dois mil habitantes. A agricultura constitui a principal atividade económica, destacando-se o cultivo de arroz, mancarra e milho.
Bufati não dispõe de transporte misto próprio nem de moto-taxistas. Ainda assim, a solidariedade entre os habitantes tem contribuído para minimizar as dificuldades de mobilidade.
Quanto à campanha de comercialização da castanha de caju, Djafuno considerou que foi positiva, uma vez que os produtores conseguiram vender o produto entre 400 e 450 francos CFA por quilograma.
“Sem pragas, os pomares produziram muito bem este ano, em comparação com os anos anteriores”, assegurou.
O dirigente comunitário destacou ainda as dificuldades de acesso aos serviços de registo civil, uma vez que os habitantes precisam de se deslocar ao setor de Sonaco, situado a cerca de 30 quilómetros da aldeia.
Por outro lado, assinalou que os casos de casamento precoce e forçado diminuíram significativamente nos últimos anos, graças à intervenção de diversos projetos de sensibilização e proteção comunitária.
Por: Epifânia Mendonça


















