Motoristas senegaleses denunciam cobranças ilegais e proliferação de postos de controlo na fronteira com a Guiné-Bissau

O presidente do Sindicato dos Motoristas do Senegal que assegura a ligação Ziguinchor–Bissau, Aladje Dialo, defendeu uma ação concertada entre os sindicatos dos transportadores da Guiné-Bissau e do Senegal para enfrentar os constrangimentos que afetam motoristas e passageiros na fronteira entre os dois países.

Em entrevista aos enviados especiais do jornal O Democrata, o dirigente sindical denunciou o aumento do número de postos de controlo entre Ziguinchor e Mpack, alegando que os condutores são alvo de cobranças consideradas ilegais durante o percurso.

“Antes existiam apenas dois postos, um da Gendarmerie e outro da Polícia, e pagávamos mil francos CFA em cada um. Hoje temos seis postos de controlo onde os condutores são obrigados a pagar”, afirmou.

Segundo Dialo, algumas corporações estariam a desempenhar funções que, na sua perspetiva, ultrapassam as competências legalmente atribuídas, situação que, diz, contribui para dificultar o exercício da atividade dos transportadores.

“Devemos trabalhar juntos e apelar ao Estado para reduzir o número de postos de controlo e pôr fim às cobranças ilícitas”, defendeu.

Interrupção da ligação direta entre Ziguinchor e Bissau agrava dificuldades de idosos e pessoas com mobilidade reduzida

O sindicalista manifestou igualmente preocupação com a suspensão da ligação direta entre Ziguinchor e Bissau, que, segundo afirmou, tem penalizado sobretudo idosos, pessoas com mobilidade reduzida e passageiros com bagagem.

Como exemplo, relatou o caso de uma mulher idosa que viajava acompanhada por três netos e transportava três malas, tendo sido obrigada a percorrer várias vezes o trajeto entre Djegue e Mpack para conseguir deslocar os seus pertences.

“Há idosos com dificuldades de locomoção que são obrigados a caminhar porque não têm alternativa”, lamentou.

Perante a situação, Dialo apelou às autoridades da Guiné-Bissau e do Senegal para encontrarem uma solução que permita o restabelecimento da circulação regular de passageiros e mercadorias na fronteira.

Segundo explicou, decorrem conversações entre as autoridades dos dois países para ultrapassar o problema, envolvendo também o Consulado da Guiné-Bissau.

Questionado sobre os impactos económicos da interrupção da ligação direta, o presidente sindical revelou que a viagem entre Ziguinchor e Bissau custava anteriormente cerca de 4.500 francos CFA. Atualmente, os passageiros pagam mil francos CFA no troço entre Ziguinchor e Mpack e mais 3.500 francos CFA para prosseguir viagem até Bissau.

“Os passageiros é que sofrem com isso”, afirmou.

Dialo denunciou ainda alegadas dificuldades enfrentadas por passageiros e condutores que não dominam o wolof ou o francês, línguas frequentemente utilizadas durante os controlos fronteiriços.

O responsável sindical apelou igualmente às autoridades guineenses para reforçarem a cooperação com o Sindicato dos Motoristas de Ziguinchor na procura de soluções duradouras para os problemas registados na fronteira.

“Estamos disponíveis para fornecer informações sobre as dificuldades que os condutores enfrentam entre Ziguinchor e Mpack”, assegurou.

O dirigente defendeu ainda que cidadãos guineenses portadores de documentos válidos emitidos pelas autoridades nacionais devem poder atravessar a fronteira sem entraves indevidos.

Relativamente à atuação da Brigada de Combate à Droga, Dialo sustentou que cada corporação deve limitar-se às funções previstas nas respetivas competências, alegando que agentes daquela unidade solicitam regularmente aos condutores cartas de condução e documentação dos veículos.

“Os agentes dos diferentes postos, desde Ziguinchor até Mpack, provocam os condutores. Não os deixam trabalhar”, denunciou.

Motoristas de São Domingos denunciam cobranças de até 2 mil francos CFA por posto de controlo

Entretanto, em declarações recolhidas fora de gravação por receio de eventuais represálias das autoridades senegalesas, membros do Sindicato dos Motoristas do setor de São Domingos relataram a existência de cobranças em cada um dos seis postos de controlo instalados entre Ziguinchor e Mpack.

De acordo com os testemunhos recolhidos, os condutores seriam obrigados a desembolsar cerca de 2.000 francos CFA em cada posto, além de uma senha sindical cobrada na paragem, no valor de 5.000 francos CFA.

Outra preocupação manifestada pelos transportadores prende-se com o denominado Passavant de Circulation. Segundo os motoristas, a emissão inicial do documento custa 2.500 francos CFA e tem validade de 72 horas.

Os condutores afirmam ainda que a circulação com o documento expirado poderá resultar em multas elevadas durante eventuais fiscalizações, que, segundo os relatos recolhidos, variam entre 500 mil e um milhão de francos CFA.

Por Tiago Seide e Alison Cabral

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