Bissau acolhe intercâmbio regional de voluntários da Cruz Vermelha dedicado à resposta a epidemias e catástrofes

Jovens voluntários da Cruz Vermelha da Guiné-Bissau, do Senegal e da Gâmbia participam, entre os dias 13 e 20 de setembro de 2026, num encontro em Bissau destinado à partilha de experiências e ao reforço da cooperação entre as organizações humanitárias dos três países.

Ao todo, 202 jovens voluntários integram o encontro. A Guiné-Bissau participa com 81 representantes, o Senegal com 73 e a Gâmbia com 41 delegados. Durante uma semana, os participantes trocarão experiências e conhecimentos sobre a gestão de epidemias, a resposta a calamidades naturais e outras situações de emergência.

Aberto no Centro Cultural Franco-Guineense, o encontro visa igualmente promover uma maior integração e aproximação entre as organizações humanitárias da sub-região. O evento decorre sob o lema “Unir para Crescer e Agir para Transformar”.

Em representação do Primeiro-Ministro, o presidente do Instituto Nacional da Juventude, Ussumane Sadjo, afirmou que o intercâmbio constitui um elemento essencial para o fortalecimento de qualquer organização.

Sadjo considerou que o evento representa uma grande responsabilidade para o Governo e garantiu que o Executivo está disponível para contribuir nos aspetos pedagógicos, apoiar o desenvolvimento das atividades e acompanhar a implementação das resoluções que vierem a ser adotadas.

“Qualquer conferência que não produza resoluções dificilmente poderá definir orientações estratégicas que o Governo possa considerar na sua ação. A visão do Executivo passa pela consolidação da confiança entre os países da sub-região, pela promoção da cooperação e da mobilidade, bem como pela discussão de desafios comuns nas áreas da saúde e da educação”, sublinhou.

O presidente do Instituto Nacional da Juventude afirmou ainda estar convicto de que a Cruz Vermelha funciona como uma verdadeira “universidade para a juventude e para a humanidade”, destacando o seu papel na integração dos jovens e na mobilização das comunidades nos diferentes bairros.

Acrescentou que o Governo reafirma o compromisso de apoiar a Cruz Vermelha, para que esta continue a ser um espaço de promoção dos valores pedagógicos e humanitários.

Por sua vez, o secretário-geral da Cruz Vermelha da Guiné-Bissau, Francisco José Mendes, reconheceu que a organização enfrenta dificuldades relacionadas com a ausência de uma base financeira sólida para sustentar as suas atividades, bem como com a escassez de recursos humanos qualificados.

“Não dispomos de meios para chegar a todo o território nacional. Muitas vezes não conseguimos alcançar as zonas mais remotas para prestar assistência às populações vulneráveis, devido à falta de recursos logísticos e operacionais”, lamentou.

Segundo Francisco José Mendes, durante o intercâmbio, Bissau transforma-se num centro de preparação técnica para situações de emergência. Além da troca de experiências, os jovens participarão em formações intensivas e exercícios de simulação em áreas consideradas essenciais para a proteção das comunidades, nomeadamente primeiros socorros, resposta a catástrofes, saúde comunitária, água e saneamento.

“Os voluntários serão capacitados para atuar na prevenção de epidemias, na promoção da higiene e no acesso à água segura. Os jovens são agentes de mudança que transformam mentalidades e ajudam a proteger a saúde pública nas zonas mais vulneráveis. Aos nossos voluntários, digo que vocês são o coração da Cruz Vermelha. É através da vossa ação nos primeiros socorros e na saúde comunitária que chegamos onde mais ninguém consegue chegar”, afirmou.

Presente na cerimónia de abertura, o embaixador do Senegal na Guiné-Bissau, Moussa Ndoyé, apelou ao reforço da união entre os países da sub-região como forma de enfrentar as dificuldades que afetam as populações, frequentemente atingidas por catástrofes naturais e crises humanitárias.

O diplomata sublinhou que o fortalecimento da solidariedade e da cooperação entre os países vizinhos é essencial para responder aos diversos desafios humanitários que afetam a Guiné-Bissau, o Senegal e a Gâmbia.

“O tema deste encontro convida-nos, antes de mais, à união. A nossa sub-região enfrenta desafios que ultrapassam fronteiras, como as catástrofes naturais, as crises humanitárias, os deslocamentos de populações, os efeitos das alterações climáticas, os problemas de saúde pública e outras vulnerabilidades que afetam os nossos Estados. Perante estes desafios, a nossa melhor resposta continua a ser a solidariedade e a cooperação”, concluiu.

Por: Natcha Mário M’Bundé

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