Com apoio de FAO: Mais de 10 milhões de CFA arrecadados por horticultoras de Bula em 2026

As mulheres horticultoras do perímetro agrícola do setor de Bula, na região de Cacheu, mobilizaram mais de 10 milhões de francos CFA através das suas atividades produtivas, desde a criação do espaço agrícola de 8,6 hectares localizado naquela localidade do norte da Guiné-Bissau.

A informação foi avançada esta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, ao jornal O Democrata pelo coordenador do Perímetro Agrícola de Bula, Carlitos Meta Mané.

Os dados foram divulgados à margem de um intercâmbio entre as mulheres horticultoras de Bula e da Granja de Pessubé, em Bissau, realizado no âmbito do Ano Internacional das Mulheres Agricultoras, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

“Este perímetro é muito importante para estas mulheres, que na sua maioria são viúvas. Graças à produção agrícola, conseguem assegurar a alimentação das suas famílias e custear a educação dos seus filhos. O projeto contribui significativamente para a resolução de problemas socioeconómicos deste grupo de mulheres horticultoras”, afirmou.

Segundo Carlitos Meta Mané, só em 2026 as produtoras conseguiram gerar mais de 10 milhões de francos CFA através da comercialização da produção agrícola.

“Já foram mobilizados mais de 10 milhões de francos CFA neste perímetro, sobretudo ao longo deste ano de 2026”, sublinhou.

O projeto, que visa contribuir para a segurança alimentar e melhorar as condições de vida das comunidades locais, conta atualmente com 268 produtores, dos quais 248 são mulheres e 20 homens, distribuídos por um perímetro agrícola de 8,6 hectares dividido em duas áreas de cultivo.

Apesar dos resultados alcançados, o coordenador reconheceu que persistem desafios importantes para a consolidação do projeto.

“Agora somos obrigados a trabalhar e produzir mais para responder às necessidades dos beneficiários e aumentar os rendimentos gerados pela atividade agrícola”, explicou.

Engenheiro agrónomo de formação, Meta Mané apelou igualmente às mulheres produtoras para reduzirem o uso excessivo de produtos químicos na agricultura, alertando para os riscos que estas substâncias representam para a saúde humana e para o ambiente.

Segundo explicou, a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis poderá trazer benefícios significativos para a saúde pública e para a conservação dos recursos naturais.

Falando em nome das participantes do intercâmbio, a presidente da Associação de Mulheres Horticultoras da Granja de Pessubé, Ermelinda Mendonça, destacou o apoio prestado pela FAO às mulheres guineenses no reforço da segurança alimentar e na promoção de técnicas agrícolas sustentáveis.

“A FAO tem trabalhado em benefício das mulheres e na sua promoção, através de intercâmbios na sub-região que permitem adquirir conhecimentos junto de outras organizações, sobretudo sobre a utilização adequada de sementes na produção agrícola. As sementes são um elemento-chave no trabalho agrícola”, afirmou.

Considerada uma destacada ativista social e horticultora, Ermelinda Mendonça apelou à organização para continuar a apoiar as mulheres guineenses no desenvolvimento do setor produtivo nacional e no fortalecimento da segurança alimentar das comunidades.

A iniciativa, destinada a contribuir para a segurança alimentar e nutricional e para a melhoria das condições de vida das mulheres horticultoras de Bula, conta com financiamento do Banco Mundial (BM) e implementação da FAO.

De salientar que o perímetro agrícola de Bula dispõe de três sistemas de irrigação: manual, gota a gota e aspersão circular, conhecida como sistema de imitação da chuva.

Por: Alison Cabral

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