Os jornalistas dos órgãos de comunicação social dos Estados-membros da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e da Aliança dos Estados do Sahel (AES) recomendaram ao Grupo Intergovernamental de Ação contra o Branqueamento de Capitais (GIABA) a criação de um prémio de jornalismo, pequenas bolsas de investigação e um glossário de terminologias sobre branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo.
As recomendações constam do comunicado final do Workshop Regional de Formação sobre Jornalismo de Investigação Aplicado aos Crimes Económicos e Financeiros, realizado em Acra, no Gana, de 22 a 24 de setembro, com a participação de profissionais de rádio, televisão, imprensa escrita e meios digitais de vários países da região.
Os participantes defenderam que o prémio seja instituído no âmbito da Rede Regional de Jornalistas sobre Branqueamento de Capitais e Financiamento do Terrorismo, como forma de reconhecer e incentivar trabalhos de excelência na investigação e divulgação de crimes financeiros.
Segundo os jornalistas, a iniciativa poderá estimular a produção de reportagens investigativas de maior qualidade sobre branqueamento de capitais, financiamento do terrorismo e outros crimes económicos e financeiros.
Os profissionais recomendaram igualmente a criação de pequenas bolsas ou mecanismos de financiamento para apoiar investigações jornalísticas na área. Argumentam que a escassez de recursos limita frequentemente trabalhos que exigem deslocações, recolha e análise de dados, obtenção de documentos e acompanhamento prolongado de casos.
Entre as propostas apresentadas está também a realização de formações especializadas em verificação digital e fact-checking, com enfoque em ferramentas e métodos práticos para validar informações disponíveis na Internet, incluindo pesquisa reversa de imagens e outras técnicas de verificação de conteúdos digitais.
Os participantes defenderam ainda o alargamento da duração das futuras ações de formação. Embora tenham considerado proveitoso o workshop de três dias, entenderam que os conteúdos relacionados com crimes económicos e financeiros exigem mais tempo para aprofundamento e aplicação prática.
Nesse sentido, sugeriram formações com duração entre quatro dias e uma semana, ou programas mais extensos acompanhados de sessões de seguimento e monitorização.
Os jornalistas propuseram igualmente que os próximos programas reservem espaço para networking, intercâmbio de experiências e atividades práticas, sobretudo quando reunirem profissionais de diferentes países africanos.
Defenderam também a inclusão de visitas técnicas e outras atividades de interação no país anfitrião, considerando que essas iniciativas podem reforçar a troca de experiências e o conhecimento de diferentes contextos profissionais.
Por fim, recomendaram ao GIABA a elaboração e disponibilização de um glossário de termos relacionados com o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo, com o objetivo de facilitar a compreensão e a utilização correta da terminologia especializada pelos jornalistas.
Os profissionais propuseram ainda a harmonização das estratégias de divulgação dos relatórios do GIABA, através da criação de listas de distribuição eletrónica direcionadas aos jornalistas, facilitando o acesso a relatórios, investigações e outros conteúdos produzidos pela organização e pela rede regional.
Por Tiago Seide, Acra (Gana)


















