Na tribuna da ONU, PM promete eleições transparentes e inclusivas na Guiné-Bissau

O Primeiro-Ministro da Guiné-Bissau, Ilídio Vieira Té, garantiu o empenho do Governo na criação de condições para que as eleições presidenciais e legislativas marcadas para 6 de dezembro próximo decorram de forma “inclusiva, livre, transparente e credível”.

O chefe do Governo de transição fez a declaração durante a sua intervenção na 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, realizada esta sexta-feira, 25 de setembro de 2026, em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América.

No discurso consultado pelo jornal O Democrata, Ilídio Vieira Té abordou a situação política da Guiné-Bissau na sequência dos acontecimentos de 26 de novembro de 2025, que classificou como uma interrupção da ordem constitucional.

O governante destacou ainda a celebração do 53.º aniversário da independência nacional, assinalado a 24 de setembro, considerando que a data possui um profundo significado para o povo guineense e constitui uma oportunidade para recordar os valores da liberdade, da soberania e da dignidade dos povos.

“É neste espírito que trago a esta Assembleia uma mensagem de paz, de liberdade e de fraternidade a todas as nações do mundo, e com a firme esperança de que cada povo possa viver em paz, exercer plenamente os seus direitos e construir livremente o seu próprio caminho de desenvolvimento e prosperidade”, afirmou.

Dirigindo-se aos Chefes de Estado e de Governo presentes, o Primeiro-Ministro recordou que a Guiné-Bissau integrou, há três décadas, o Conselho de Segurança das Nações Unidas como membro não permanente.

“Hoje, ao reafirmar o nosso compromisso com os princípios e propósitos da Carta das Nações Unidas e com a promoção da paz e da segurança internacionais, gostaria de reafirmar que a Guiné-Bissau é candidata a membro não permanente do Conselho de Segurança para o período 2028-2029”, declarou.

Na ocasião, sublinhou que a visão internacional da Guiné-Bissau assenta em quatro pilares fundamentais: prevenção, diálogo, cooperação e paz.

Ilídio Vieira Té assegurou que o país continuará a trabalhar com os Estados-membros na promoção de prioridades comuns, defendendo que, para a Guiné-Bissau, “o multilateralismo e o respeito pelo direito internacional não são meros conceitos, mas uma necessidade existencial”.

O governante defendeu igualmente uma reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas que garanta ao continente africano uma representação “mais justa, permanente e efetiva”.

Sobre o Saara Ocidental, saudou os esforços das Nações Unidas para alcançar uma solução política duradoura para o conflito e manifestou apoio à Iniciativa de Autonomia apresentada por Marrocos como base para a sua resolução.

No seu discurso, reiterou também o apelo da Guiné-Bissau ao levantamento do embargo económico, comercial e financeiro imposto a Cuba.

O Primeiro-Ministro destacou ainda a necessidade de respostas coletivas aos conflitos armados, às alterações climáticas, ao terrorismo, ao crime organizado transnacional, às desigualdades, ao endividamento dos países em desenvolvimento e às dificuldades de financiamento do desenvolvimento.

Por fim, expressou a gratidão da Guiné-Bissau à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), à União Africana, às Nações Unidas e aos demais parceiros internacionais pelo apoio prestado aos esforços para o regresso à normalidade constitucional no país.

Por Assana Sambú

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