O Presidente da República de Transição, General de Exército Horta Inta-a, apelou à confiança mútua e à união no seio das Forças Armadas, exortando os militares a respeitarem a cadeia de comando e a não acatarem ordens paralelas ou ocultas.
O Chefe de Estado falava esta quarta-feira, 7 de outubro de 2026, no Palácio da República, após a cerimónia de graduação de oficiais generais recentemente promovidos. Na ocasião, desafiou os novos oficiais a colocarem os interesses da Guiné-Bissau acima de quaisquer interesses pessoais.
Entre os oficiais promovidos destacam-se o Major-General Tomás Djassi, Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas e presidente do Conselho Nacional de Transição, elevado à patente de General de Exército; o Major-General Samuel Fernandes, vice-chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, promovido a Tenente-General; e o Capitão-de-Mar-e-Guerra José Pogna, inspetor-geral das Forças Armadas, promovido a Contra-Almirante.
Segundo um comunicado do Gabinete de Comunicação e Relações Públicas da Presidência da República, consultado pelo jornal O Democrata, foram igualmente promovidos o Brigadeiro-General Baute Iamta Na Man, chefe do Estado-Maior do Exército, à patente de Major-General; o Brigadeiro-General Ioba Embaló, presidente do Tribunal Militar Superior, também a Major-General; e o Brigadeiro-General Dinis Ncanha, chefe da Casa Militar da Presidência da República, igualmente a Major-General.
As promoções abrangeram ainda o Coronel Fabian Sagna, chefe da Divisão de Contrainteligência e Inteligência Militar, promovido a Brigadeiro-General; o Coronel Aliu Baldé, vice-chefe do Estado-Maior da Força Aérea, promovido à mesma patente; e o Coronel Amadu Bari, vice-chefe do Estado-Maior do Exército, igualmente elevado a Brigadeiro-General.
No seu discurso, Horta Inta-a instou os recém-promovidos a exercerem as novas funções “com sentido de responsabilidade, dedicação e compromisso para com o país”.
Esclarecimentos sobre militares afetos à Presidência

Horta Inta-a, que lidera a Guiné-Bissau desde o golpe de Estado de 26 de novembro de 2025, esclareceu que nenhum militar afeto à Presidência da República e leal ao antigo Chefe de Estado foi suspenso das Forças Armadas. Segundo explicou, apenas foram efetuadas transferências para outras unidades militares do país, num procedimento que classificou como normal.
“A mobilidade de elementos das forças de defesa e segurança é um processo normal dentro das nossas estruturas. Quem ainda não foi transferido deve aguardar o novo processo de colocação. Ninguém foi suspenso das Forças Armadas”, afirmou.
Pela primeira vez desde o início do processo de desarmamento e transferência de militares anteriormente colocados na Presidência da República, o líder de transição pronunciou-se publicamente sobre o assunto, sustentando que aquela estrutura funcionava de forma desorganizada.

Segundo declarou, a integração destes elementos nas diferentes unidades das Forças Armadas permitirá uma melhor organização e enquadramento institucional.
Apelo à entrega voluntária de armas
O Presidente da República denunciou ainda que alguns destes militares mantêm armamento em suas residências e apelou aos respetivos comandantes para que os convençam a entregar voluntariamente as armas.
Advertiu que os militares que não cumprirem esta orientação poderão enfrentar processos disciplinares e outras sanções previstas nos regulamentos militares.
Apelo à unidade nacional
Durante a sua intervenção, Horta Inta-a reiterou igualmente que a cultura de confrontação e divisionismo não contribui para o desenvolvimento do país, razão pela qual defendeu uma maior coesão entre os cidadãos guineenses.
O Chefe de Estado concluiu apelando à união e ao fortalecimento da confiança entre os membros das Forças Armadas e entre todos os cidadãos, considerando que a estabilidade nacional depende do compromisso coletivo com a paz, a disciplina e o interesse nacional.
Por: Filomeno Sambú


















