ACOBES critica custos da energia, telecomunicações e cimento

A Associação de Consumidores de Bens e Serviços (ACOBES) exigiu ao Governo a adoção de medidas urgentes para reduzir o preço da eletricidade fornecida pela Organização para a Valorização do Rio Gâmbia (OMVG), bem como das tarifas da água, argumentando que os atuais custos continuam a penalizar as famílias e a travar o desenvolvimento económico da Guiné-Bissau.

A posição foi defendida esta quinta-feira, 5 de novembro de 2026, pelo secretário-geral da organização, Bambo Sanhá, durante uma conferência de imprensa dedicada à situação das tarifas da energia elétrica, dos serviços de telecomunicações e dos preços do cimento no mercado nacional.

Segundo o responsável, apesar dos progressos verificados com a entrada em funcionamento da energia proveniente da OMVG, os consumidores continuam a suportar custos elevados no acesso à eletricidade.

Bambo Sanhá afirmou que a redução das tarifas deve constituir uma prioridade do Executivo, salientando que o acesso a energia a preços mais acessíveis é essencial para melhorar as condições de vida das populações e estimular a atividade económica.

“É preciso proteger os cidadãos, garantindo que a energia seja acessível a todas as famílias e não apenas a uma minoria. O elevado custo da eletricidade continua a ser um obstáculo ao desenvolvimento económico e social do país”, declarou.

O secretário-geral da ACOBES sustentou que a redução do preço da energia poderá igualmente favorecer a instalação de indústrias e empresas de maior dimensão, contribuindo para a criação de empregos e para a redução do desemprego entre os jovens.

De acordo com Bambo Sanhá, a OMVG assegura atualmente uma parte significativa da energia consumida no país, razão pela qual os consumidores esperam refletir esse benefício nas suas faturas de eletricidade.

Além da questão energética, a associação manifestou preocupação com os custos dos serviços de telecomunicações, sobretudo da internet e das chamadas telefónicas. A ACOBES considera que os preços praticados continuam elevados face à qualidade dos serviços prestados pelas operadoras que atuam no mercado nacional.

O responsável apontou ainda falhas recorrentes na cobertura, estabilidade e velocidade da internet, defendendo uma melhoria significativa da qualidade dos serviços disponibilizados aos utilizadores.

Outro tema abordado durante a conferência foi o preço do cimento. A associação denunciou o que considera serem preços excessivos praticados por algumas fábricas instaladas no país, alegando que, em determinados casos, o cimento produzido localmente é comercializado a valores superiores aos dos produtos importados.

Segundo a ACOBES, esta situação encarece os custos da construção civil e afeta não apenas os consumidores particulares, mas também os promotores imobiliários e o setor das obras públicas.

Perante este cenário, a organização apelou às autoridades competentes para reforçarem os mecanismos de fiscalização e adotarem medidas concretas destinadas à proteção dos consumidores, defendendo maior transparência na formação dos preços e uma regulação mais eficaz dos setores da energia, telecomunicações e materiais de construção.

Por: Carolina Djeme

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