Com apoio de FIDA: GOVERNO REABILITA BARRAGEM E DIQUES DE CINTURA DE DOZE MIL METROS NO SETOR DE TITE

[REPORTAGEM_ julho 2019] O Governo guineense, através do ministério de Agricultura e Florestas, reabilitou a barragem de Nhala e construiu 12 mil metros de diques de cintura nas bolanhas, todos na secção de Bessassema, setor de Tite, região de Quínara, no sul da Guiné-Bissau. A reabilitação de barragem, a construção dos diques de cintura e a reabilitação das pistas rurais são programas executados pelo Projeto de Apoio ao Desenvolvimento Económico das Regiões do Sul (Quínara, Tombali e Bolama-Bijagós) e que contou com o financiamento do Fundo Internacional do Desenvolvimento da Agricultura (FIDA).

O projeto reabilitou ainda mais de três quilómetros da estrada que liga a pequena cidade de Tite à aldeia de Nhala, onde se encontra a barragem. O projeto trabalhou igualmente na reabilitação da barragem, a reabilitação e construção de descarregadores, bem como a construção de diques de cintura no sector de Tite. 

De acordo com as informações recolhidas no terreno, o custo total da reabilitação das pistas rurais a nível das zonas de intervenção do projeto estima-se em cerca de 600 milhões de Francos CFA, enquanto a reabilitação de barragem de Nhala, a construção de descarregadores e a construção dos diques de cintura das bolanhas contam com um orçamento de 74 milhões de Francos CFA. O custo total das obras foi financiado pelo Fundo Internacional do Desenvolvimento de Agricultura.

COORDENADOR: “OBJETIVO DO PROJETO  É REABILITAR TREZE MIL HECTARES DE BOLANHAS”

Para além da construção de diques e de pistas rurais, o projeto (PADEC) intervém também na recuperação das bolanhas, ordenamento de perímetros hortícolas bem como no reforço de capacidades das comunidades, através da criação de centros de alfabetização das populações.

Arnaldo Augusto Sanca, Responsável do Ordenamento hidroagrícola e reabilitação de pistas rurais do Projeto de Apoio ao Desenvolvimento Económico das regiões do Sul (PADEC), explicou em entrevista exclusiva a O Democrata que o projeto intervém em vários setores a nível das três regiões onde opera. A título do exemplo, frisou que na seção de Bessassema, para além de recuperação de bolanhas, apoia também no enquadramento de seis hectares para a produção hortícola. 

Acrescentou que no âmbito do projeto, construíram-se 12 poços melhorados, como também ajudou na vedação de todo o perímetro do campo.  

Assegurou neste particular que, no quadro deste projeto, fez-se este ano o ordenamento de 23 hectares para a produção essencialmente de produtos hortícolas, que, segundo a sua explanação, incluem os campos hortícolas dos setores de Bolama, Tite, Empada, Catió e Bedanda. Revelou, no entanto, que o objetivo é reabilitar 30 hectares de campos hortícolas antes do fim de projeto em toda a sua zona de intervenção, ou seja, até finais de dezembro de 2019. 

“O projeto beneficiou de um financiamento adicional do fundo dos países produtores de petróleo no valor de seis milhões de dólares norte-americanos. Neste financiamento adicional, prevê-se agora a reabilitação de 13 mil hectares de bolanhas e a reabilitação de 89 quilómetros de pistas rurais a nível de três regiões onde opera”, contou para de seguida recordar que o projeto iniciou em 2016, mas devido aos atrasos registados, na execução dos trabalhos só foi possível em finais de 2017. 

Lembrou que forneceram às horticultoras pequenos materiais de produção, nomeadamente: regadores, catanas, enxadas e adubes. Sublinhou ainda que as organizações parceiras do projeto executam as atividades de sensibilização sobre a importância da produção hortícola na vida das mulheres bem como a técnica de preparação do campo.  

Sobre a intervenção do projeto na reabilitação das bolanhas com recurso a técnicas modernas e tradicionais, informou que a reabilitação moderna é o tipo do trabalho feito na aldeia de Bessassema, onde se onde foi construída  uma barragem mecanicamente feita pelas máquinas pesadas e a construção de descarregadores que servem para a gestão da água.

“A reabilitação do tipo tradicional é a reabilitação em que o projeto fornece os tubos “PVC” de diferentes diâmetros para fazer a gestão da água e a construção dos diques de cintura a nível daquela bolanha, com o intuito de impedir a entrada da água salgada”, esclareceu para de seguida, avançar que o projeto  compromete-se igualmente com o fornecimento de sementes melhoradas compradas no Instituto Nacional de Pesquisa Agrária (INPA), graças a uma convenção assinada e que facilita o fornecimento de sementes  aos produtores nas aldeias.

Explicou ainda que o projeto leva a cabo a reabilitação moderna de 401 hectares de bolanhas do setor de Empada, que, segundo ele, será entregue no final do mês em curso às autoridades competentes. 

Enfatizou que o PADECE trabalha igualmente na reabilitação tradicional de mais de dois mil hectares de bolanhas a nível da região de Tombali, designadamente no: setor de Catio, bolanhas de Kibil (Djiu di N´fanda), Kabandan, Botchi Mindi, Catchusan,   essas bolanhas constituem ao todo uma área de mais de dois mil hectares.

Esclareceu ainda que no setor de Bolama, a intervenção do projeto se limita apenas no campo hortícola, dado que não dispõe de bolanhas que exigem a grande intervenção.  

BARRAGEM DE NHALA VAI IMPEDIR ENTRADA DA ÁGUA SALGADA NAS BOLANHAS

Sobre a reabilitação de barragem de Nhala, disse que a obra visa impedir a entrada da água salgada nas bolanhas,  acrescentando que depois da obra, a parte reabilitada vai ser aproveitada como bolanha para a produção de arroz e outra continuará com os mangais (tarrafes).

“Objetivo principal é impedir a entrada de água salgada nas bolanhas. A bolanha tinha uma quantidade de sal que não permitia o seu aproveitamento na sua totalidade, mas após um ano da sua reabilitação já está em condições de ser aproveitada na sua totalidade para a produção de arroz. Se houver muita chuva e vontade de produzir da parte dos camponeses, então haverá muita produção”, espelhou o técnico. Contudo, frisou que a bolanha tem uma área de 1377 (mil e trezentos e setenta e sete) hectares.

Recordou que no ano passado foi explorada apenas uma área de 255 hectares por causa do sal que se encontrava no local, mas o fato de ter chovido bastante no ano passado, permitiu a lavagem do sal o que criou a possibilidade de aumentar mais a área de produção da parte dos camponeses.

“Apenas existe uma única barragem que é esta estrada. Há dois descarregadores, um de três tubos e outra com maior capacidade. A função do descarregador maior é drenar da água de bolanha. Acabamos de construir outra que vai permitir a entrada de água salgada para atingir a zona mais alta de bolanha, porque chega um determinado tempo em que se precisa da água salgada no interior da bolanha para “matar”  as ervas nocivas às culturas, de forma a renovar a bolanha e permitir maior produção”, espelhou.

Entretanto, informou que as obras de construção de barragem foram iniciadas em fevereiro de 2018 e terminaram em julho do mesmo ano.         

Por: Assana Sambú

Foto: A.S

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