Covid-19: FEDERAÇẤO DE MOTORISTAS AMEAÇA SUSPENDER TRANSPORTES A PARTIR DA PRÓXIMA TERÇA-FEIRA

A Federação das Associações de Motoristas da Guiné-Bissau ameaçou que, se o governo não deliberar novas medidas, através de um despacho, sobre a circulação dos transportes públicos a nível do território nacional serão obrigados a suspender a circulação de transportes públicos por período indeterminado. A paralisação incluirá, nomeadamente: os urbanos e interurbanos (táxis, toca-tocas e transportes mistos). 

A decisão saída de uma reunião que reuniu as vinte umas associações filiais da Federação a nível do território nacional, as empresas de autocarros e ASTRA (Associação de proprietários de carros) foi tornada pública por Caran Samba Lamine Cassamá, porta-voz da Federação, esta sexta-feira, 03 de julho de 2020, em entrevista a um programa matinal da Rádio Galáxia de Pindjiguite, em Bissau.

Segundo Caran Samba Lamine Cassamá, a decisão já foi comunicada às autoridades. Acrescentou que a iniciativa de suspender a circulação de transportes públicos foi decidida para o bem comum, mas não vincula obrigatoriamente ninguém, ou seja, quem quiser aderir que adira e quem não quiser está livre de fazê-lo, no exercício dos seus direitos fundamentais.

Caran Samba Lamine Cassamá lembrou que umas das medidas adotadas, na sequência de sucessivos estados de emergência decretados pelo chefe de Estado guineense, Úmaro Sissoco Embaló, o executivo deixou claro que os cidadãos de uma determinada região ou área geográfica não poderiam circular fora do limite do seu território, “num país com uma superfície de 36.125 km2, divido em oito regiões e o Setor Autónimo, Bissau (SAB), muito pequeno”.

“Mas o mais caricato nessa medida é que as autoridades fiscalizadoras obrigam os motoristas de carros de determinada região a regressarem à origem e mandam os passageiros da mesma área geográfica saírem do carro, e em menos de dez metros do limite da região anterior, embarcam-nos noutros carros. Isto leva-nos a deduzir que talvez o Vírus de Covid-19 não se transmita de pessoa a pessoa, mas através dos carros”, criticou o sindicalista.  

O porta-voz frisou ainda que o governo decidiu adotar tal medida, reduzindo a lotação dos  transportes para metade, sem nenhuma compensação em relação às tabelas estabelecidas, nem subvenção, tendo sublinhado que desde o primeiro estado de emergência, os motoristas cumpriram todas as orientações das autoridades sanitárias e políticas.

“Paramos durante três meses, mas não recebemos nenhuma solidariedade vinda do governo. Somos pessoas de famílias”, lamentou, para de seguida tecer duras críticas contra o governo que acusou de estar a agir de forma parcial, deixando outros setores funcionar normalmente como se se tratasse de um período normal.

“Temos mercados e bancos a funcionar normalmente, sem nenhum respeito ao distanciamento social. A mim parece-me que a medida visa apenas os motoristas. Não podemos ter pequeno descuido  somos apanhados e multados em vinte e cinco mil (25.000) francos CFA ou cinquenta (50.0000) mil francos CFA”, acusou.

Informou que num dos encontros mantidos com o governo, receberam garantias em como neste sexto estado de emergência, em vigor por um período de trinta (30) dias, o governo desbloquearia a questão a circulação dos transportes públicos e que inclusive o atual Comissário da Polícia da Ordem Pública teria assegurado que recebeu do Ministro do Interior, Botche Candé, que usaria toda a sua influência para que a questão de transportes fosse desbloqueada, aumentara lotação e permitir a circulação inter-regional de transportes, sob a condição de que os motoristas continuariam a exigir o uso obrigatório de máscaras aos passageiros, “por isso não suspendemos a circulação de carros no mês passado, mas essa promessa não foi cumprida até agora”.

Quanto ao horário estabelecido para o início e o fim das atividades, o sindicalista disse que o governo deixou “um vazio” em relação ao assunto, colocando em choque permanente os motoristas e os agentes da Polícia Trânsito.  

Reconheceu, contudo, que tem havido exagero na aplicação de diferentes tabelas estabelecidas pelas autoridades, tanto para Bissau como para diferentes zonas do país, mas atribuiu a maior responsabilidade aos motoristas das viaturas particulares e acusou-os de estarem a fazê-lo de forma isolada. Prometeu desencadear ações de fiscalização de carros particulares ou públicos que supostamente estarão a especular os preços.

“Como a população não tem dinheiro, parar a circulação de carros por tempo indeterminado talvez seja uma das soluções para ajudar o governo a estancar a propagação do Covid-19 na Guiné-Bissau”, assinalou.


Por: Filomeno Sambú

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