Editorial: SILENCIAR JORNALISTAS COM TERROR NUNCA VENCERÁ NA GUINÉ-BISSAU!

Este país já viveu crises, experimentou golpes, contra golpes, assassinatos de todo tipo e tudo dentro de água de impunidade que sistematicamente tem alimentado as crises cíclicas. Apesar desse quadro sombrio, a Guiné-Bissau tinha vindo a salvaguardar um aspeto que orgulha qualquer cidadão que milita pelos ideais democráticos: a liberdade de expressão e de imprensa. Custa hoje acreditar que essa conquista que custou sangue e pesados sacrifícios está posta em causa por um regime falido e acima de tudo violento.

Espancamentos, sequestros e perseguições contra individualidades nacionais não bastaram. Agora é a vez da imprensa ser vítima da brutalidade armada no calar da noite.

O ataque contra a Rádio Capital, para além de um ato covarde e vergonhoso é um claro atentado à liberdade de expressão e de imprensa, consagradas na Constituição que há muito tornou-se uma carta morta colocada a porta do lixo.

A banalização e a anarquia já são uma realidade diária, encarnada por autoridades com elevada carência de legitimidade. Senão, o que justificaria tantas ameaças contra homens e mulheres da imprensa que, em árduas condições laborais, nunca renunciaram ao seu sagrado dever de informar a opinião pública? Como explicar a violência seletiva encomendada, e até assumida publicamente por atores políticos contra jornalistas no exercício da sua função?

A história já provou que o estado de selva nunca triunfou perante a resiliência de um povo determinado. O povo guineense aspira construir um país livre, pacífico e independente. Qualquer projeto que vise destruir essa aspiração enraizada é condenado ao fracasso.

A tentativa de semear divisão no seio da classe jornalística para melhor reinar não surtirá efeitos porquanto os profissionais guineenses, saberão se livrar desse “game”.

Os jornalistas não são “meninos de mandado” como muitos impreparados políticos julgam. Os jornalistas são fazedores de histórias que alicerçam o processo de construção da República.

“Só há democracia sólida com imprensa estável e livre”, lembrava num discurso o atual Presidente português, Marcelo Rebelo Sousa. As disputas pelo poder, as ameaças, os ataques sejam quais forem e executados por quem quer que seja, nunca levarão os jornalistas guineenses à resignação.

A liberdade custou vidas para a edificação deste país, e nenhum aventureiro, nenhuma autoridade, substrairá esse valor ao povo guineense!!!

Aterrorizar e vandalizar como arma de silenciar imprensa nunca vencerá. A Guiné-Bissau sempre terá uma imprensa livre.


Por: Redação

Nb: edição completa da versão impressa, disponível nas bancas.

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