SINETSA PARALISA SETOR DE SAÚDE PARA RECLAMAR SALÁRIOS E PROTEÇÃO EM TEMPOS DA COVID-19

O presidente do Sindicato Nacional dos Enfermeiros, Técnicos de Saúde e Afins (SINETSA), Yoio João Correia, insurgiu-se contra o governo e reclama o pagamento de salários e subsídios de três meses aos técnicos de saúde envolvidos na luta contra a Covid-19.

As reivindicações do sindicato surgem no primeiro dia dos sete da greve dos técnicos de saúde e enfermeiros, iniciada esta quarta-feira, 16 de setembro de 2020. Apesar de reconhecer que o país está a enfrentar um vírus delicado, o sindicalista disse que isso não justifica que os técnicos de saúde continuassem a trabalhar sem a proteção, nem salários nem subsídios de risco.

“Os técnicos de saúde juraram salvar vidas, não sacrificar as suas”, disse, revelando que os técnicos envolvidos no combate à covid-19 não recebem seus subsídios de risco há três meses e os profissionais de novo ingresso não receberam os seus salários. 

Para além dessas exigências, o sindicato frisou a falta de materiais e de equipamentos de proteção para permitir que os técnicos de saúde possam exercer as suas funções cabalmente no terreno e face à Covid-19.

Numa entrevista concedida ao nosso semanário na quarta-feira, 16 de setembro de 2020, Yoio Correia sublinhou que a greve resultou do incumprimento, da parte do governo, do memorando de entendimento assinado no dia 28 de agosto de 2019 e da adenda ao memorando de entendimento assinada a 11 de março de 2020, entre o governo e as centrais sindicais do país, sendo filial da UNTG.

“Essencialmente, reclamamos o pagamento dos subsídios de vela, atraso salarial e também a questão da aprovação de instrumentos de ações socioprofissionais porque, de acordo com as adendas, todas essas situações deveriam estar regularizadas desde maio último”, notou.

Segundo o sindicalista, apesar da reunião mantida como o ministério da Saúde Pública e o das Finanças, concluiu-se que o ministério da saúde não está interessado em ultrapassar essa situação porque, segundo avançou, o responsável da tutela, António Deuna, não demostrou vontade de dar seguimento aos trabalhos iniciados anteriormente, “particularmente sobre a carreia de saúde”. 

Confrontado com a situação do ministro das Finanças, Yoio Correia afirmou que o ministro das Finanças “mostrou-se disponível para liquidar as questões financeiras”, mas está preocupado com a questão da legislação, a carreira de saúde e ética profissional.

“Queremos um documento que balize o setor e seus profissionais, para que possamos ter uma classe diferente e organizada”, enfatizou, lembrando que o sindicato tinha advertido ao ministro da Saúde Pública sobre a paralisação, mas este não tomou nenhuma medida para evitá-la.

“Não ficamos contentes com a paralisação, mas não tínhamos como, a situação levou-nos a isto”, referiu.

A nossa equipa de reportagem esteve no Laboratório Nacional de Saúde Pública (LNSP) para constatar se realmente a greve havia afetado aquele serviço, mas constatamos que o serviço de atendimento funcionava normalmente, onde se podia ouvir alguns técnicos a recomendar aos pacientes que estivessem atentos às rádios, porque também poderiam vir a aderir à greve.

O Democrata circulou no interior das instalações do LNSP e ouviu alguns funcionários que simplesmente disseram que não tinham conhecimento da paralisação.

Na sua observação, o Diretor Técnico do Laboratório, Mamadú Bari Camará, considerou a greve “inoportuna”, devido às necessidades que o setor tem neste momento de combate ao coronavírus, por isso sugeriu que os técnicos de saúde dessem benefício de dúvida ao governo.

“Temos muitos doentes que procuram o nosso serviço e já tínhamos tirado as amostras dos pacientes antes de termos conhecimento da greve, portanto vamos trabalhar hoje para concluir o processamento dessas amostras”, disse, indicando que os profissionais daquela instituição têm condições de proteção contra a Covid-19 para exercer cabalmente as suas funções.


Por: Epifânia Mendonça

Foto: E.M 

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