“O TRABALHO QUE EU FAÇO NÃO É PARA O PR, MAS SIM PARA TODA A NAÇÃO GUINEENSE”

A Alta Comissária para a Covid-19 da Guiné-Bissau, Magda Robalo, disse aos guineenses que a sua missão à frente da instituição que luta contra a pandemia não é trabalhar para “agradar o Presidente da República”, Umaro Sissoco Embaló, mas aceitou o cargo para “trabalhar para toda a nação guineense”.

Robalo fez esta afirmação esta terça-feira, 01 de dezembro, momentos depois da cerimónia de reconhecimento da equipa cubana que esteve no país para ajudar no combate ao novo coronavírus, num dos hotéis da capital Bissau.

“O trabalho que eu faço não é para o Presidente da República. Eu trabalho para a Guiné-Bissau e neste momento que estamos em negociações com o Banco Mundial para ajudar o país na compra de vacinas e terminadas as negociações com Banco Africano de Desenvolvimento, para construir três fábricas de oxigênio, não é o momento de abandonar e deixar as negociações ao meio, porque houve violação das medidas de combate à covid-19, em Gabú e Bafatá”,  assegurou Magda Robalo.

Depois da sua primeira deslocação ao interior do país (Gabu e Bafatá), depois de ter sido eleito Presidente da República, o chefe de Estado, Umaro Sissoco Embaló, mobilizou multidões em Gabu e Bafatá, aglomerando pessoas que na sua maioria estava sem máscaras de proteção contra a Covid-19. Poucas horas depois, houve reações de cidadãos de vários quadrantes contra o “silêncio” de Magda Robalo e alguns até sugeriram que se demitisse.

Perante este cenário, a antiga ministra da Saúde Pública, Magda Robalo, admitiu aos jornalistas que os acontecimentos de Gabú e Bafatá eram lamentáveis, mas entende que deve continuar a trabalhar, com vista a dar seguimento aos trabalhos que estão a ser desenvolvidos na luta contra a pandemia da covid-19 no país, é o mais importante, sobretudo numa altura em que se intensificam as negociações com instituições financeiras internacionais.

“Aquilo que aconteceu em Gabú e Bafatá é lamentável, não devia ter acontecido, mas eu penso que o trabalho que estou a fazer para os guineenses merece continuar para que possa haver vacinas, porque parar agora implica recomeçar, não digo de zero… Porque haverá sempre pessoas que poderão continuar o processo. Não sou a peça mais importante, mas penso que estamos num momento crítico deste combate contra o coronavírus”, indicou Robalo.

A Alta Comissária para a Covid-19 no país apelou à classe política guineense, incluindo o chefe de Estado a respeitarem o cumprimento estrito das medidas de prevenção recomendadas e assumir  uma postura exemplar. Robalo defendeu, por isso, que, em tempos da pandemia, os atores políticos  não podem e nem devem pôr a política à frente da saúde pública.

Em relação à situação da pandemia, Magda Robalo realçou os esforços conseguidos e que permitiu quebrar a cadeia de transmissão da doença na Guiné-Bissau.  Porém, alerta que a região de Bafatá surge agora como uma das maiores preocupações do Alto Comissariado.

“Nós pensamos que houve um momento que se conseguiu quebrar a cadeia de transmissão maior, mas a transmissão continua. Bafatá neste momento é a nossa principal quebra cabeça em termos de transmissão da infecção e em termos da mortalidade. Bafatá é a região da Guiné-Bissau que tem a maior taxa das pessoas que morreram de covid-19, por isso não podemos pensar que a doença não existe no país”, finalizou Robalo.

Dados estatísticos divulgados na segunda-feira, 30 de novembro de 2020, indicam que a Guiné-Bissau regista atualmente um total acumulados de 2.441 casos de covid-19 no país, 64 dos quais permanecem ativos e 44 vítimas mortais.

No âmbito do combate à pandemia, as autoridades nacionais decretaram por vários meses o estado de emergência. Em setembro último declararam a situação de calamidade e emergência de saúde até 08 de dezembro.


Por: Alison Cabral

Foto: ALTO COMISSARIADO

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Figura de Semana

Edição Impressa