Futebol: “MANELINHO” NEGA ACUSAÇÕES DE DESVIO DE FUNDOS DA FFGB

O antigo presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB), Manuel de Nascimento Lopes, voltou a negar as acusações de corrupção e de desvio de fundos doados pela Confederação Africana de Futebol (CAF), pelo organismo que dirige o futebol mundial, FIFA, e pelo governo, durante os 8 anos que esteve a dirigir a FFGB.

“Muitas vezes tive que tirar o meu dinheiro pessoal para pagar bilhetes de viagem dos jogadores da seleção nacional e tive, na altura, divergências com os sucessivos governos por causa de fundos”, disse.

“Havia dirigentes e antigos ministros que se deslocavam à sede da FFGB para receber mensalmente perto de 400 mil francos CFA, sem que tivessem feito algo para o futebol nacional. Quando recusei entregar tais verbas, alegando que o dinheiro é dos jogadores e da federação, essas pessoas decidiram abrir guerra contra mim”, declarou Manuel de Nascimento Lopes.

O antigo dirigente da FFGB falava na quinta-feira, 08 de Julho de 2021, em entrevista no Programa Noite Jovem da Rádio Jovem, na qual abordou o seu percurso no futebol, na direção da FFGB e a participação da Guiné-Bissau no CAN.

“Manelinho”, que está suspenso de todas as atividades desportivas durante 10 anos pela FIFA em 2020, revelou que deixou mais de 500 milhões de francos CFA na conta da FFGB.

“Quando assumi a liderança da federação encontrei o saldo negativo. Mas eu, quando saí, deixei 510 milhões de francos CFA. Podem perguntar à nova direção da FFGB. Eu deixei as funções com a cabeça levantada”.

O ex-líder da Federação de futebol foi acusado em 2017, juntamente com a secretária-geral, Virgínia Cruz, pelo antigo vice-presidente do organismo, Inum Embaló, de ter desviado cerca de mil milhões de francos CFA na altura.

“Manelinho”, que agora está longe das rédeas de futebol, tentou um terceiro mandato a frente da FFGB, mas acabou por ser suspenso, devido a um incidente gravado em vídeo no qual ele apareceu ao lado de um homem algemado por populares, acusado de furto, num dos bairros de Bissau, em outubro de 2019. A FIFA entendeu que “Manelinho” não protegeu a integridade física e mental do homem.

Questionado sobre o sucedido, o antigo presidente da FFGB revelou que nunca teve a intenção da fazer mal ao suspeito, acusando o Partido Africano de Independência da Guiné e Cabo-Verde (PAIGC) de ter enviado o vídeo daquele acontecimento à FIFA, embora não tenha referenciado o nome do autor do envio.

Disse também que não recebeu qualquer notificação antecipada da sua suspensão pela FIFA nem foi ouvido pelo Comité de Ética do organismo até à data presente. Diz que recorreu ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) e está a aguardar a decisão final dessa instituição judicial.

Se vier a ser considerado inocente, o antigo presidente da FFGB diz que não vai voltar a exercer as funções federativas ligadas ao desporto, nomeadamente o futebol, devido à “hipocrisia” reinante no seio da modalidade. 

Em relação à gestão da atual direção da FFGB liderada por Carlos Mendes Teixeira, Lopes escusou-se a comentar o assunto, limitando-se a desejar sucessos aos membros do Comité Executivo. 

Durante uma hora abordou a sua relação com Issa Hayatoue o seu conflito sucessivo com o malgaxe Ahmad Ahmad, que também dirigiu a CAF. 


Por: Alison Cabral

Foto: AC

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