Secção de Suzana: MULHERES ENGAJADAS NA PRODUÇÃO DE TOMATE PARA A “SOBRIVIVÊNCIA” DE FAMÍLIAS

[REPORTAGEM_julho de 2021] Dezenas de famílias das aldeias de Edjim, Bulol, Eossor, Djifunco e Catão, secção de Suzana, setor de São Domingos, região de Cacheu no norte da Guiné-Bissau, vivem da produção hortícola praticada por um grupo de mulheres, que cultivam enormes quantidades de tomate, que depois é vendido a um grupo de mulheres vendedeiras para abastecer os diferentes mercados do país.

De acordo com a informação apurada pelo jornal O Democrata, a ONG VIDA é a entidade que apoia as mulheres horticultoras dessas tabancas, sobretudo em arrames para a vedação dos campos e alguns materiais como baldes e bacias para regar as plantações.

Ainda de acordo com as informações, a maioria das mulheres pratica atividade hortícolas e produz tomates para o sustento das famílias.

A repórter de O Democrata constatou no terreno que algumas das vendedeiras saem de Bissau até à tabanca de Elia e Suzana a procura de tomates para revenda em Bissau. Membros de algumas famílias contatadas no terreno frisaram que as horticultoras das aldeias de Eossor, Edjim, Bulol e Djifunco só conseguem levar os seus tomates e comercializá-los nas feiras populares (Lumos) de Canoa. Ao contrário dessas tabancas, os clientes é que se deslocam às aldeias de Edjim e Catão à procura do produto.

Dados estatísticos recolhidos no terreno indicam que a aldeia de Edjim é a que mais produz tomate, devido à fertilidade do seu solo.

A ONG VIDA Agricultura também está a apoiar as mulheres horticultoras daquela secção na construção de um centro de acolhimento na tabanca de Elia, onde podem residir temporariamente, quando levam o tomate para comercializar na feira popular local.

PRODUTORES DA ASSOCIAÇÃO “DJIMUNTEM” CLAMAM POR MATERIAIS E SEMENTES HORTÍCOLAS

Em entrevista ao jornal O Democrata, a presidente de Associação “DJIMUNTEM” que traduzido para crioulo significa “Bó Sufri”, da tabanca de Edjim, Ana Codó Djatá, informou que a sua organização cresceu graças aos apoios recebidos da Associação Vida Agricultura que atuava naquela zona.

A ONG Vida Agricultura apoiava, segundo Ana Codó Djatá, na produção de tomates, sobretudo no fornecimento de Arrames para a vedação dos campos agrícolas.

Contudo, lamentou que nos últimos tempos têm-se deparado com falta de meios de trabalho, nomeadamente, poços de água para regar os legumes, regadores e sementes, entre outros materiais.

Segundo indicou, o projeto que apoiava à organização deixou de operar na zona, ou seja, terminou, mesmo assim, as mulheres continuaram a batalhar para ganhar o pão de cada dia e garantir o sustento de dezenas de famílias.

“O que fazemos é pedir aos nossos maridos que nos ajudem a cavar poços de água para facilitar no trabalho” disse, para de seguida avançar que as mulheres plantam diferentes legumes como por exemplo a beringela, o quiabo (candja), badjique e cebolas, mas o que têm produzido mais e em grande quantidade são os tomates.

Em relação à evacuação dos produtos, Djatá disse que depois da colheita cada horticultora carrega seus legumes a uma distância de um ou dois quilómetros para encontrar as vendedeiras que vão comprar legumes ou outros produtos agrícolas.

Ana Codó Djatá lamentou ainda a falta de infraestruturas rodoviárias de qualidade, o que na sua explanação, tem dificultado as mulheres na evacuação dos seus produtos para outros mercados.

“Dantes íamos até Suzana, mas nos últimos tempos não tem sido assim, porque a procura aumentou e os clientes têm procurado mais os nossos produtos, sobretudo na localidade de Buadje, situada entre Edjim e Suzana”, salientou.

Djatá revelou que vendem cada kilograma de tomate a quinhentos (500) francos CFA, contudo em termos de perspetivas para 2021, a tendência era que esse valor subisse de 500 para setecentos e cinquenta (750) francos CFA, mas o novo valor não chegou a ser implementado devido à crise sanitária provocada pelo novo Coronavírus.

Sobre a quantidade de tomates produzidos, explicou que a produção depende em grande parte do campo ou espaço que cada mulher possui. Porém, uma horticultora informou a O Democrata que chega a conseguir às vezes quatro ou cinco bacias de tomate numa colheita.

Ana Codó Djatá disse que a maior parte das atividades agrícolas é praticada na época seca, porque na época chuvosa ficam mais atarefadas com o trabalho da lavoura.

HORTICULTORAS “INGORADAS” E SEM APOIO DO GOVERNO PARA INCENTIVÁ-LAS NO TRABALHO

Questionado se associações têm recebido apoios do Estado, frisou que a única entidade que as apoiava era a associação Vida Agricultura, mas ultimamente é a própria associação que tem assumido as despesas internas, sobretudo a compra de materiais e sementes.

“No fim de cada colheita, cada associada contribui com 1000 francos CFA para a compra de sementes para a produção seguinte, referiu e contou que uma parte desse dinheiro foi canalizada para a construção do centro de saúde na aldeia, porque a aldeia de Edjim não tem centro de saúde”, indicou.

Em relação ao número de  associadas, Ana sublinhou que não tem um número exato, mas informou que tem muitas associadas. Sublinhou neste particular que as mulheres fazem grande esforço para conseguir alguma coisa para sustentar as suas famílias e assegurar os estudos dos seus filhos.

“Tudo o que conseguimos tirar da venda de tomates é para pagar a escola das crianças, a lavoura…”

Perante estes fatos, Ana Codó Djatá apelou ao governo e às outras entidades ou organizações não-governamentais a apoiarem a sua aldeia na construção de um centro de saúde para os primeiros socorros e uma piroga para facilitar as mulheres na evacuação dos seus produtos para a feira popular de Elia.

Por: Carolina Djemé

Fotos: C.D

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