CEDEAO CONDENA “VEEMENTEMENTE” GOLPE E EXIGE LIBERTAÇÃO DO PR CONDÉ

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, a CEDEAO, condenou ‘’veementemente’’ O golpe de estado registado na Guiné-Conacri e exigiu a libertação incondicional do Presidente Alpha Condé.

A posição da organização sub-regional consta no comunicado publicado ontem, 5 de setembro de 2021, na sua página oficial (Facebook), assinado pelo seu presidente em exercício, o Presidente do Gana, Nana Addo Akufo-Addo. 

“A CEDEAO regista com grande preocupação os recentes desenvolvimentos políticos registados em Conacri, República da Guiné-Conacri” lê-se no comunicado.

A CEDEAO exigiu o respeito pela integridade física do Presidente Alpha Condé e a sua libertação imediata e incondicional bem como de todas as pessoas detidas pelos militares.

“Exigimos igualmente o retorno à ordem constitucional, sob pena de aplicação de sanções contra os responsáveis” advertiu, afirmando a sua desaprovação a todas as mudanças políticas inconstitucionais.

A organização sub-regional alertou também às forças da defesa e segurança a manterem uma postura republicana e a solidarizarem-se com a população e o governo conacri-guineense.

As forças especiais da Guiné-Conacri afirmaram ter capturado o Presidente Alpha Condé e “dissolvido” as instituições, num vídeo enviado à agência de notícias AFP e que está também a circular nas redes sociais, enquanto o Ministério da Defesa garantiu ter repelido a tentativa de golpe.

“Decidimos, depois de retirar o Presidente, que atualmente está connosco (…), suspender a Constituição em vigor e dissolver as instituições; decidimos também destituir o Governo e fechar as fronteiras terrestres e aéreas”, disse, em declarações divulgadas nas redes sociais, um dos membros do grupo envolvido no alegado golpe de Estado que vestiu um uniforme militar e estava armado.

O autor das declarações foi identificado como sendo o coronel Mamady Doumbouya, comandante das forças especiais.

Foram também divulgadas imagens do chefe de Estado, nas quais lhe perguntam se terá sido  maltratado, tendo Alpha Condé, vestido de calças de ganga e camisa sentado num sofá, ignorado a questão.

Por seu lado, o Ministério da Defesa afirmou, em comunicado, que “os insurgentes semearam o medo” em Conacri antes de tomarem o palácio presidencial, mas que “a guarda presidencial, apoiada pelas forças de defesa e segurança leais e republicanas, contiveram a ameaça e repeliu o grupo de atacantes”.

A Guiné-Conacri, país da África Ocidental que faz fronteira com a Guiné-Bissau, enfrenta, nos últimos meses, uma crise política e económica, agravada pela pandemia do novo coronavírus (covid-19).

A candidatura do Presidente Alpha Condé a um terceiro mandato, considerado inconstitucional pela oposição, em 18 de outubro de 2020, gerou meses de tensão que resultaram em dezenas de mortes. A eleição foi precedida e seguida da detenção de dezenas de opositores.

Vários defensores dos direitos humanos criticam a tendência autoritária observada durante os últimos anos na presidência de Condé e questionam as conquistas do início da sua governação.

Condé, um ex-opositor histórico, preso e até condenado à morte, tornou-se, em 2010, no primeiro Presidente eleito democraticamente no país.

Por: Assana Sambú 

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