AS ELEIÇÕES PARLAMENTARES OU PARALELAMENTARES?

Começou ontem (22 de Março de 2014) em todo o território nacional o carnaval eleitoral nacional que Zé-povinho de Bandim espera que seja na realidade as eleições Parlamentares e não Paralelamentares sem fim, como aconteceu nas últimas eleições gerais que transformaram o país numa espécie de golpe de escrita do jornalismo internacional.

As eleições Parlamentares de 13 de Abril não podem ser uma mera paródia eleitoral da democracia da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), ou da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP). Têm que ser, acima de tudo, uma Catarse da nossa identidade política, cultural e democrática. Não devem, as eleições parlamentares, transformar em Paralelamentares que transformem mais uma vez a Guiné-Bissau numa situação fenesta para a democracia nacional e para os próprios guineenses.

As eleições Paralelamentares destrõem qualquer intencionalidade política da concreticidade histórica da experiência crítica que reina nas democracias das actuais sociedades de dispositivos tecnológicos de mediação simbólicas. Porque uma democracia constituida com os resultados das eleições Paralelamentares, reina a nulidade quotidiana dos individuos “Sem História”, como Zé-povinho de Bandim, que se transformam, por obras de retórica, numa opulente personalidade política, deixando para trás todos os seus atributos do crime e da perversão.

Qualquer estudioso da Ciência de Comunicação e Jornalismo que analisar a comunicação política eleitoral cruzada dos nossos candidatos fica, sem margem para dúvida, com a ideia de que a ruptura da democracia com o regime do partido único, no nosso país, não teve nenhum impacto no campo das relações interindividuais dos poderes instalados há anos no nosso país. A grandiloquência com que a nossa classe política se descreve as questiúnculas quotidianas, as misérias e comezinhas são provas evidentes da ausência de impacto nas relações interindividuais nos poderes instalados após-independência com o regime democrático e multipartidário.

Nas eleições Paralelamentares, as relações dos candidatos com os eleitores se manifestam no pagamento dos caracteres individauis dos próprios candidatos por intermédio de todo o emaranhado que estabelecem entre a sua verdadeira figura e o que eles dizem ser aos eleitores e ao Zé-povinho de Bandim.

É só nas eleições Paralelamentares que os candidatos representam na esfera pública eleitoral a própria morte das suas ideias e do seu papel como uma figura política da após-moderna. As próximas eleições Parlamentares de 13 de Abril reúnem todas as condições de se transformarem outra vez em Paralelamentares ou numa espécie de golpe de escrita do jornalismo internacional.

 

António Nhaga

Director-Geral

E-mail: [email protected]

———————————————————————————————————————-as opiniões aqui expressas são da inteira responsabilidade do autor que assinou o artigo e não reflectem necessariamente a linha editorial do Jornal O Democrata.

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.