Editorial: PRESIDÊNCIA DA CEDEAO NA CONSCIÊNCIA DE ZÉ-POVINHO DE BANDIM

Na verdade, não devemos eleger a pobreza mental para governar a Guiné-Bissau, porquanto nela reside permanentemente a ausência do perfil da consciência política e ideológica da governação de uma Nação. Quando uma Nação, como a Guiné-Bissau, abrir a sua porta à pobreza mental, abre igualmente, a porta à narrativa semiose da política ideológica para devastar mentalmente a vida do Zé-povinho de Bandim que não possui condições de ter um perfil de consciência pública para reter e salvar a função social da cidadania num processo de mediação de um Estado direito democrático.

O perfil da consciência pública da narrativa democrática da nossa assunção da presidência da Comunidade Económica dos Estados de África Ocidental (CEDEAO), desafia-nos a ter a noção clara que a Missão, a Visão e os Valores da estratégia nacional do desenvolvimento interno do nosso país é fundamental.

O nosso desafio não se limita apenas em realizarmos internamente as eleições legislativas e as presidenciais para termos um novo Primeiro-Ministro e um novo Presidente da República para assumir a presidência da CEDEAO. É preciso refletirmos, sem subterfúgios, sobre a nossa cultura e a nossa estrutura diplomática na construção de uma estratégia nacional de desenvolvimento para a nossa afirmação no contexto da CEDEAO, da África e do mundo.

A diplomacia é um instrumento fundamental da definição de um plano estratégico nacional de desenvolvimento de um Estado quer no contexto sub-regional, quer no internacional.

A Guiné-Bissau, não foge a regra. A nossa diplomacia é, sem margem para dúvidas, a pedra angular do estabelecimento do nosso plano estratégico de desenvolvimento nacional que terá reflexo na CEDEAO, na África e no mundo. Não podemos funcionar internamente sem a Missão, os Valores e a Visão estratégica de desenvolvimento nacional, e querermos depois ter sucesso na nossa presidência da CEDEAO. Com uma diplomacia de corredores e de escadas sem definição inequívoca da Missão, dos Valores e da Visão do plano estratégico nacional do desenvolvimento, a Guiné-Bissau irá hipotecar, com a sua presidência da CEDEAO, a sua imagem de democracia social e económica em construção.

A estratégia nacional do desenvolvimento não deve ser apenas de pintar e tornar mais visível o Hospital Nacional Simão Mendes para o inglês ver sem ter médicos especializados nem equipamentos de diagnósticos. Se a nossa estratégia nacional do desenvolvimento se divorciou da nossa realidade interna, não teremos moral para estabelecer uma narrativa discursiva indicial de um Estado de Direito Democrático com os outros países da CEDEAO. Seremos vistos como aquele vizinho divorciado que imoralmente aconselha o seu vizinho a não se divorciar.

Foi, sem margem para duvidas, a ausência da definição de uma clara Missão Estratégica do desenvolvimento nacional que levou, a Guiné-Bissau, na sua era de ouro nas Relações Internacionais, com o Presidente Luís Cabral, nunca se preocupar com a presidência da CEDEAO desde sua fundação em 1975. Quando o grau da definição de estabelecimento interno da Missão democrática de um país não é sustentavelmente estável é melhor não pintar iconicamente a narrativa discursiva para assumir as funções a nível da sub-região africana. Foi o que aconteceu com Presidente Luís Cabral na era de ouro da diplomacia da Guiné-Bissau. Com Presidente Luís Cabral a Missão estratégica do desenvolvimento do nosso país nunca teve como prioridade a presidência da CEDEAO. A prioridade era de colmatar a dependência do nosso país do fluxo do comercio externo e da criação das infraestruturas internas de produção de bens de consumo a nível nacional.

A questão que se coloca agora é de saber se, com a nossa diplomacia de corredores e de escadas estamos em condições de arrastar o país para um compromisso que não está na nossa estratégia nacional de desenvolvimento interno. Ou seja, será que a nossa diplomacia de escadas e de corredores conhece bem e está preparado para combater o fenómeno de crescimento do extremismo no espaço da CEDEAO?.

O comportamento da nossa diplomacia de escadas e de corredores mostra que, de certa forma, ainda não temos uma profunda consciência do fenómeno de extremismo na Guiné-Bissau e nos países da CEDEAO.

Sem essa consciência interna profunda, como é que a nossa diplomacia poderá lidar agora com extremismo durante a nossa presidência da CEDEAO? 

Olhando para a nossa atual diplomacia de escadas e de corredores não acreditamos que, o nosso país, mesmo utilizando a nossa experiência interna de conflitualidade cronica e de instabilidade democrática poderá servir-nos de experiência e de competência para resolução de conflitos e de extremismos que estão a crescer na CEDEAO cada vez mais.

Por: António Nhaga

Diretor-Geral

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