Opinião: QUEREM PUBLICAR COERCIVAMENTE NOTÍCIAS FALSAS NO JORNAL O DEMOCRATA

Um indivíduo e “fontes de uma informação” com suposto interesse jornalístico e com amnésia do reconhecimento de uma informação de interesse dos governados invadiu, na semana passada (22 de agosto de 2022 as 15:30 horas) e sem pudor, o jornal O Democrata para solicitar à Direção deste órgão de comunicação social a publicação de uma notícia falsa. Todos os nossos jovens jornalistas presentes no ato inusitado ficaram perplexos e sem palavras, melhor dizendo, sem adjetivos para caraterizar esta caricata situação.

De acordo com a sua convicção, a fonte repetiu mais de cinco vezes, perante a estupefação da Direção do jornal, que “queria publicar uma “notícia falsa” – ipsis verbis no jornal O Democrata” porquanto teve a informação que “é o jornal mais credível” na Guiné-Bissau. Uma afirmação curiosa e contraditória: um jornal credível a publicar notícias falsas! Nós no jornal o Democrata não compreendemos este desejo da fonte que nos visitou.

Nós, na Direção do jornal o Democrata, ainda não estamos amnésicos e bem sabemos reconhecer o que é uma informação com interesse jornalístico. Também não andamos com lacunas temporais académicas para esquecermos de um dos maiores expoentes de Comunicação Social portuguesa, o Professor Adriano Duarte Rodrigues que dizia “uma das coisas mais estupidas que costumo ouvir é que as pessoas e as coisas nos transmitem informações. As informações não são coisas que se possam transmitir. Nós é que inferimos ou adquirimos informações ou conhecimentos novos, a partir das questões que nós colocamos ou com que nós abordamos as coisas e as pessoas.”

Esta tese do Professor Adriano Rodrigues deixa claro que, não obstante a multidimensionalidade do conceito do pluralismo nos Media, nunca publicamos e não publicaremos notícias falsas no jornal O Democrata, notícias de determinadas fontes, ainda por cima informações falsas. Por outro lado, os nossos jornalistas procuram ter sempre uma agenda com informações de interesse dos governados que podem ser abordadas e agregadas de acordo com as fontes de informações abertas e resistentes para produzir uma notícia de qualidade para o consumo.

Qualquer jornalista do jornal O Democrata não tem amnésia do objeto e da dimensão de comunicar para informar, onde reina o relato da verdade dos fatos. Todos sabem, na produção de notícias, lidar muito bem com os cinco géneros de fontes de informações jornalísticas: fontes abertas, resistentes, ansiosas, espontâneas e compulsivas. Também sabem que cada uma destas fontes possui caraterísticas próprias no relacionamento com os jornalistas e o jornal O Democrata. Para a nossa leitura editorial interessa-nos mais as caraterísticas de uma fonte de informações jornalística compulsiva.

É de conhecimento dos jornalistas do jornal o Democrata que todas as fontes de informações jornalísticas têm sempre interesse numa notícia. Sabem ainda que sem uma fonte de informação jornalística não existirá o jornalismo. Em suma, sabem que é uma relação bastante complexa que exige dos jornalistas um excelente conhecimento das funções das fontes de informações jornalísticas no atual contexto de multidimensionalidade e do pluralismo dos Media.

Não obstante, o conceito de multidimensionalidade de pluralismo dos Media, na Guiné-Bissau, uma das coisas mais estupidas é a incapacidade de os jornalistas reconhecerem e tornarem públicas as funções e as atuações das fontes compulsivas de informações jornalísticas na sua dimensão de comunicar para informar. O que transformou a sociedade guineense num campo de bolhas polarizadas de fontes compulsivas de informações jornalísticas com ideologias próprias para sustentar os seus discursos, mesmo sabendo que a sua informação é falsa e não pode circular nos campos sociais do nosso país.

É esta forma de atuação jornalística que ainda não existe na gramática do jornalismo praticado no jornal O Democrata. Por isso, a fonte compulsiva de informações jornalística que invadiu a Direção do nosso jornal saiu bastante irritada porquanto não conseguiu sequer comunicar bem nos ouvidos dos jornalistas do jornal o Democrata. A expressão de notícias falsas não existe realmente no vocabulário dos jornalistas do jornal o Democrata. E a fonte compulsiva de informações jornalística que invadiu a Direção do nosso jornal, na semana passada, estava repleta, na sua gramática, de vocabulário “noticias Falsas”. Não dizia mais nada que não seja “quero publicar uma notícia falsa” no jornal o Democrata.

Na nossa Guiné-Bissau as fontes compulsivas de desinformação dos media e dos jornalistas circulam em grupos de pessoas filiadas politicamente, que vestem capas de comentadores sociais, que tornam público conteúdos noticiosos menos verificados. Ou seja, não querem que circulem nos Media tradicionais as informações verificáveis nas fontes de informações abertas, resistentes e bem agregadas nas notícias de qualidade produzidas para o consumo em todo o território nacional. Hoje, na Guiné-Bissau, qualquer fonte de informação compulsiva pode, sem pudor, dirigir-se a redação de um órgão de Comunicação Social e pedir a Direção que publique uma notícia falsa. Ou seja, tornou-se normal como quando um mestre de gastronomia entra num restaurante e pede uma “birra de cerveja” para poder refletir melhor sobre a forma como preparar o prato do dia para os clientes.

Na verdade, no nosso país, as fontes compulsivas de informações jornalísticas propagam mais conteúdos desinformativos. O que leva, por vezes, os Media tradicionais também a circular na linha de desinformações das fontes compulsivas. Se as fontes compulsivas de informações jornalísticas continuarem a ter poderes de entrar nas redações dos órgãos de Comunicação Social do nosso país e exigir, sem pudor, a publicação de notícias falsas, é uma prova inegável que ainda estamos muito longe de alcançarmos uma democracia liberal na Guiné-Bissau.

Para combatermos a desinformação das fontes compulsivas de informações jornalísticas em todo o território nacional, os jornalistas e os Media devem trabalhar como o instrumento essencial do desenvolvimento de pluralismo em todos os campos sociais que coabitam no nosso país.

Nesta ordem de ideias: I) Não podem ser um instrumento de um pluralismo que se identifica com certas linhas ideológicas e culturais de fontes compulsivas de informações jornalísticas onde circulam notícias falsas; II) Devem estabelecer, na produção de conteúdos jornalísticos, nos campos sociais, um pluralismo de fontes de informações jornalísticas abertas e resistentes que espelham de forma clara a igualdade dos cidadãos no consumo de notícias produzidas na esfera pública nacional e III) estabelecer igualmente nos campos sociais da Guiné-Bissau, um pluralismo reativo que reflita a diversidade de opiniões dos vários campos sociais que existem na sociedade guineense.

Na diversidade como reflexo, os Media guineense poderão produzir, com fontes de informações jornalísticas abertas e resistentes, notícias que reflitam as reais diferenças sociais que existem na esfera pública da Guiné-Bissau; na diversidade, como o acesso, os Media e os jornalistas guineenses podem também dar voz e acolher os vários pontos de vista dos campos sociais na esfera pública nacional; e na diversidade, como escolha, os Media guineense podem apresentar aos cidadãos várias perspetivas sociais de vida e do desenvolvimento democrático.

Tal como o jornal o Democrata, os Media guineense não devem publicar notícias falsas das fontes compulsivas de informações jornalísticas que agora invadem as Direções dos órgãos de Comunicação Social.

Por: António Nhaga

Diretor – Geral

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