O Presidente da República, que é igualmente presidente da Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Umaro Sissoco Embaló, exortou esta sexta-feira, 18 de julho de 2025, os seus homólogos a que, face aos desafios que o mundo enfrenta — sejam eles geopolíticos, humanitários, económicos, sociais ou climáticos —, a CPLP sirva de exemplo de concertação, cooperação e solidariedade entre os seus nove Estados-membros, de diferentes dimensões territoriais, demográficas, valores culturais, condições socioeconómicas e pertencentes a quatro continentes.
Embaló fez este alerta no seu discurso de abertura da XV Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da CPLP, que decorre no Salão VIP da Conferência Internacional dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades, em Bissau, sob o lema: “Soberania Alimentar: Um Caminho para o Desenvolvimento Sustentável”.
A XV Cimeira de Bissau conta com a presença de quatro Chefes de Estado, um Primeiro-ministro e os ministros dos Negócios Estrangeiros de Angola e do Brasil, designadamente: O Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, o Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, o Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, o Presidente de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova, o Primeiro-ministro da Guiné Equatorial, Manuel Osa Nsue Nsua, o Ministro das Relações Exteriores de Angola, Téte António, o representante do Brasil, bem como o Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, como convidado especial e os representantes de países na categoria de observadores.
A concertação de posições políticas e diplomáticas, a cooperação setorial, a promoção e difusão da língua portuguesa, a mobilidade, a cooperação económica e empresarial foram alguns dos temas que marcam a agenda dos Chefes de Estado e de Governo durante a cimeira em Bissau.
O Chefe de Estado guineense agradeceu, na sua intervenção, a presença dos seus homólogos e dos representantes dos países nesta cimeira, afirmando que essa participação é “uma clara demonstração do vosso compromisso com os valores fundamentais da CPLP: a amizade sincera, o respeito mútuo, a solidariedade fraterna e a cooperação”.

“O nosso povo abre os seus braços a cada um dos Estados-membros, aos observadores associados, aos nossos parceiros de desenvolvimento e a todos os que contribuem para tornar a CPLP mais forte, mais coesa, mais relevante e solidária”, declarou, aproveitando ainda a ocasião para dirigir algumas palavras em francês, enaltecendo a presença do Chefe de Estado senegalês, Bassirou Diomaye Faye, como convidado especial.
O Presidente da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da CPLP, Umaro Sissoco Embaló, explicou que, durante a cimeira, se iria refletir sobre os avanços alcançados, reforçar os compromissos e traçar caminhos mais ambiciosos para o futuro da Comunidade.
“Da segurança alimentar à mobilidade, da educação à inovação, da cultura à economia azul, enfim, as possibilidades de cooperação são tão vastas quanto a nossa vontade e determinação coletivas”, assegurou.
PRESIDENTE SÃO-TOMENSE DEFENDE A CONSTRUÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS MAIS ABRANGENTES E CONSISTENTES
O Presidente cessante da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o são-tomenses Carlos Vila Nova, defendeu, na abertura dos trabalhos da XVª Cimeira da organização lusófona, que é preciso incentivar a construção de políticas públicas mais integradas e consistentes, voltadas para o segmente das sociedades da comunidade.
Carlos Vila Nova lançou um desafio coletivo de sustentabilidade à ação climática, à proteção dos recursos naturais dos países da CPLP e à adoção de medidas e modelos de desenvolvimento que respeitem os limites ecológicos do planeta.

O chefe de Estado de São Tomé e Príncipe disse que com o lema escolhido para esta cimeira de Bissau: “CPLP e a Soberania Alimentar: Um caminho para o desenvolvimento Sustentável” abre-se um novo capítulo que convoca os Estados membros a um debate central para o presente e futuro dos povos da CPLP.
Para Carlos Vila Nova, falar da soberania alimentar, num momento em que a insegurança alimentar ameaça milhões de pessoas no mundo e nos países da CPLP, é falar da dignidade de vida, colocar o direito à alimentação adequada como um pilar fundamental de qualquer agenda e desafiou Umaro Sissoco Embaló a puxar esse tema para o centro da ação da CPLP.
Sustentou que o tema que, para além da urgência, oferece aos países da CPLP uma oportunidades de cooperação agrícola, de valorização da produção local, de intercambio técnico, de fortalecimento de cadeias alimentares sustentáveis e de proteção dos ecossistemas que sustentam a nossa agricultura, sobretudo de reforçar respostas coletivas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável II e a agricultura sustentável e tornar a CPLP numa plataforma cada vez mais eficaz na busca de ações concretas para os desafios atuais.
O presidente cessante disse acreditar que a missão que lhe foi confiada foi cumprida, mediante uma intensa interação mútua e de construção coletiva e disse que ao longo de quatro décadas, a CPLP tem tentado afirmar-se com um espaço de diálogo de concertação política. Cooperação e solidariedade entre os povos unidos por laços históricos, culturais e linguísticos.
Admitiu que quando São Tomé e Príncipe assumiu a presidência da CPLP sabia que os desafios que estava a enfrentar não seriam facilmente superados, num mundo marcado por rápidas transformações e crises multidimensionais e que, por incertezas geopolíticas, seria necessário que a CPLP se mantivesse firme nos seus propósitos, ativa nas suas ações e unida nos seus princípios.
“A nossa presidência procurou convergir ainda mais com o foco no reforço da coesão interna, na valorização da mobilidade de soberania, da valorização, de promoção da língua portuguesa como o nosso traço comum de aprofundamento de solidariedade entre os nossos povos”, disse, para de seguida afirmar que colocar a juventude no centro da agenda da CPLP é colocar e abrir um espaço de protagonismo de milhões de jovens dos países membros da CPLP.
Por: Filomeno Sambú/Assana Sambú
Fotos: Marcelo Na Ritche





















