‎Eleições gerais: GOVERNO  NEGA A CADUCIDADE DA CNE  E DIZ QUE O SECRETARIADO DESTE ÓRGÃO MANTÉM-SE ATÉ À POSSE DE NOVOS RESPONSÁVEIS

O governo, através do Ministério da Administração Territorial e Poder Locar (MATPL), negou que o mandato da Comissão Nacional de Eleições (CNE) tenha caducado e afirmou que o atual Secretário Executivo manter-se-á até à posse de novos titulares deste órgão.

‎O Governo defendeu  que, de acordo com o princípio da continuidade administrativa, “nenhum órgão do Estado  cessa funções sem a nomeação legal dos seus sucessores”, sob pena de se” criar um vazio institucional capaz de comprometer a organização das eleições”.

‎Em nota de esclarecimento aos comunicados da  Plataforma  Aliança Inclusiva – Terra Ranka, do Partido da Convergência Nacional para a Liberdade e o Desenvolvimento (COLIDE-GB), em  declarações de algumas forças políticas tornadas públicas esta sexta-feira, 29 de agosto de 2025, o executivo reitera a sua posição de manter em funções o atual figurino da CNE.

‎”O Secretariado Executivo da Comissão Nacional de Eleições mantém-se em funções até à tomada de posse dos novos titulares para  assegurar a normalidade e legalidade do processo eleitoral”, precisou o governo.

‎Relativamente à decisão de limitar a recandidatura de presidentes das Comissões Regionais de Eleições (CRE)  que tenham exercido mais de dois anos de mandato, disse  insere-se “numa lógica de renovação, transparência e imparcialidade”.

‎”Trata-se de uma medida preventiva que visa evitar a perpetuação de chefias locais e reforçar a credibilidade das estruturas descentralizadas da CNE, prática comum em democracias consolidadas”, reforçou a nota do governo a que O Democrata  teve acesso.

‎A COLIDE-GB, API- PAI Terra Ranka e algumas formações políticas têm questionado a decisão do governo de atribuir à imprensa nacional, INACEP, a produção de boletins de voto, alegado que tal decisão poderá viciar o processo eleitoral de 23 de novembro.

‎Em reação a essas questões, o executivo sustentou  que foi tomada no  âmbito da política de valorização de competências nacionais e o Conselho de Ministros não tem nada que  determinar que a produção gráfica de qualidade reconhecida fosse prioritariamente confiada a empresas públicas nacionais.

‎”Com base nessa decisão, a INACEP foi contratada para a impressão do material gráfico eleitoral”, sustentou, apontando que “é  evidente que os materiais que não podem ser produzidos internamente como a tinta indelével – foram encomendados no estrangeiro”.

‎O governo assegurou que o processo será acompanhado de mecanismos de fiscalização multilateral, incluindo a supervisão de partidos políticos e de observadores internacionais para  “assegurar total integridade da votação”.

 ‎O Governo de iniciativa presidencial negou quaisquer insinuações de fraude ou manipulação, defendendo que a CNE é um órgão independente, composto por representantes de diferentes forças políticas e da sociedade civil, pelo que “não se encontra sob o controlo de qualquer partido ou figura política”.

‎”É lamentável que alguns setores, ainda antes da realização das eleições, procurem desacreditar o processo eleitoral e semear desconfiança, criando um ambiente artificial de instabilidade”, lamentou o governo em comunicado.

‎Sobre apelos que têm  crescido à comunidade internacional, o executivo realçou que a  Guiné-Bissau é um Estado soberano, mas plenamente aberto ao escrutínio internacional.

‎O Governo reafirmou a sua total disponibilidade para acolher missões de observação da CEDEAO- Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, da União Africana – UA,  CPLP- Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e Nações Unidas, “como sempre tem acontecido”, rejeitando a instrumentalização dessas organizações para artificializar divergências internas e transformá-las em árbitros de disputas politico-partidárias.

‎O governo insistiu e disse que a decisão de produzir os boletins de voto no país, através da INACEP, baseia-se em três princípios fundamentais: soberania nacional, racionalização de custos, celeridade logistica.

‎Finalmente, o governo apelou a todos os partidos políticos para que pautem as suas ações por principios de responsabilidade, ética e patriotismo, evitando discursos que ponham em causa a confiança dos cidadãos nas instituições da República.

‎Por: Filomeno Sambú

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