FÓRUM NACIONAL DE ADVOCACIA DEBATE DIREITOS DAS MULHERES NO CAMPO AGRÍCOLA

O diretor executivo da Organização não-governamental Tiniguena, Miguel de Barros, defendeu a implementação das políticas públicas como ferramentas para assegurar a igualdade produtiva entre as mulheres guineenses que atuam nesse setor.

Miguel de Barros afirmou que a falta das políticas públicas levou à insegurança física das mulheres nos seus campos de produção, razão pela qual sugeriu a criação de políticas públicas para garantir a segurança das mulheres nas suas atividades agrícolas, porque “essas políticas públicas podem ser enquadradas no funcionamento pleno da justiça social”.

O Diretor Executivo da Organização não-governamental Tiniguena falava na abertura do Fórum Nacional de Advocacia para os direitos das mulheres e da soberania alimentar do projeto EGALE-AO.

O projeto visa reforçar a igualdade de género, através da agro-ecologia dirigida pelas mulheres da África Ocidental, com foco nas zonas rurais mais vulneráveis da Guiné-Bissau, do Burkina Faso, do Senegal e do Togo.

Terá a duração de 5 anos, de 2022/2026, e foi financiado pelo Governo canadiano, através do Global Affair Canadá.     

De acordo com Miguel de Barros, a injustiça que ocorre no sistema público e cultural não garante a segurança económica, produtiva, alimentar e social da própria mulher, enquanto pilar da agricultura, alegando que as dificuldades encontradas na transformação da agricultura resultam da falta de uma política para o setor e de respeito aos direitos das mulheres, bem como de garanti-las a segurança.

“Não estou a afirmar que a falta do desenvolvimento da agricultura contribui para a pobreza das mulheres agricultoras, não. Estou a falar da falta do desenvolvimento das políticas públicas e as injustiças sociais e culturais que colocam as mulheres na pobreza”, precisou.

Segundo os últimos relatórios sobre esse caso, as famílias que estão a ser lideradas pelas mulheres na capital têm mais capacitada de resiliência económica e segurança alimentar no país, enquanto as famílias rurais que mais produzem e que estão a ser liderada pelas mulheres estão mais vulneráveis na resiliência económica e segurança alimentar.

Para o sociólogo guineense esse desnível entre as mulheres da zona rural e urbana implica que existe uma desigualdade entre as mulheres das zonas rurais e urbanas, associada às diferenças sociais.

Neste sentido, convidou os jovens a apostarem na agricultura e aconselhou as comunidades a não permitirem que os seus direitos sejam violados ou entregues nas mãos das organizações da sociedade civil.

“As comunidades devem cumprir as suas obrigações, porque essas organizações não podem substituir o Estado e o governo também deve fazer o seu papel, mostrando que cada um deve cumprir as suas obrigações para a promoção da justiça social e cultural”, reforçou.

Por sua vez, a coordenadora do projeto EGALE-AO, Ruguiato Baldé, afirmou que o projeto trabalha aproximadamente com mais de cinco mil mulheres, dezasseis associações e vinte cinco comunidades na Guiné-Bissau, sobretudo na melhoria da produção, da igualdade de género e na exaltação dos seus direitos enquanto mulheres.       

No seu discurso, a representante do Global Affair Canadá, Fernande Abanda, convidou as mulheres a apoiarem o projeto para o desenvolvimento socioeconómico das suas produções, garantir a segurança alimentar, a igualdade de género e criar relações mútuas entre as mulheres membros do projeto, por ser uma iniciativa que veio para reforçar a igualdade de género, através da agro-ecologia dirigida pelas mulheres da África Ocidental.

Por: Jacimira Segunda Sia

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