EMGFA DENUNCIA TENTATIVA DE GOLPE DE ESTADO E PROMETE TOLERÂNCIA ZERO 

O Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau denunciou uma tentativa de subversão da ordem constitucional por parte de alguns oficiais generais e superiores das Forças Armadas, num momento em que o país se prepara para as eleições gerais, marcadas para o dia 23 de novembro.

“Este triste episódio, que envolve alguns oficiais generais e superiores das nossas FA, compromete a paz e a estabilidade tão desejadas para o desenvolvimento socioeconómico e a atração de investimento externo”, lê-se no comunicado do Estado-Maior, ao qual O Democrata teve acesso.

A denúncia foi tornada pública por meio de um comunicado lido à imprensa, sem direito a perguntas, pelo chefe da Divisão Central dos Recursos Humanos e Quadros, Brigadeiro-General Fernando Gomes da Silva, nas instalações da Fortaleza de Amura, em Bissau.

Durante a comunicação, foram reproduzidos áudios com “fragmentos” dos trabalhos da comissão de inquérito, com o objetivo de demonstrar à comunidade nacional e internacional que se trata de “fatos reais e inadmissíveis”. Segundo o Estado-Maior, os militares detidos estariam a preparar um golpe de Estado.

O comunicado informa que está em curso um processo de inquérito para apurar todos os envolvidos “neste triste caso”, e que os responsáveis serão punidos conforme a lei. “Todos os outros envolvidos que se encontram em fuga serão localizados e conduzidos à justiça”, reforça o documento.

O Estado-Maior alertou ainda que as forças de defesa e segurança não permitirão distúrbios ou desordem durante o processo eleitoral, e que estarão vigilantes e intransigentes diante de qualquer tentativa de comprometer as eleições.

O comunicado também anunciou a constituição do Comando Conjunto para garantir a segurança das eleições legislativas e presidenciais de 23 de novembro. O grupo é composto por mais de 15 mil elementos das Forças Armadas (FA), da Guarda Nacional (GN), da Polícia de Ordem Pública (POP) e das Forças de Estabilização da CEDEAO. A missão é assegurar a proteção dos candidatos, coligações eleitorais e partidos políticos em todo o território nacional, além de reprimir severamente qualquer ameaça antes, durante e após o escrutínio.

“As forças de defesa e segurança avisam que não permitirão qualquer intromissão de indivíduos ou grupos, por meio de ações de influência psico-informacional, redes sociais ou outros meios de comunicação, com o objetivo de desestabilizar ou desacreditar a liderança militar”, afirma o comunicado.

O Estado-Maior também apelou a todos os membros das forças de defesa e segurança — dos generais aos soldados — para que se mantenham fiéis aos ideais da República e à sua instituição democraticamente eleita, abstendo-se de qualquer ato que possa comprometer a paz e a estabilidade desejadas pelo povo guineense.

O vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Mamadu Turé (N’Cruma), afirmou que qualquer cidadão, político ou militar que tente perturbar a estabilidade do país será preso, sem exceções. Criticou o envolvimento de militares em manobras políticas para subverter a ordem constitucional, afirmando que tais ações visam apenas desestabilizar a população em benefício de interesses pessoais.

“É lamentável o que estamos a testemunhar. Os nossos camaradas foram interrogados e todos ouviram. Não é por falta de aconselhamento; alguns ignoram e deixam-se levar pelos políticos”, disse Turé. Ele destacou ainda o compromisso do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Biaguê Na N’Tan, com quatro pilares: subordinação ao poder político, respeito à Constituição da República, organização das FARP e capacitação dos jovens.

Turé denunciou que o Brigadeiro-General Dabana Na Walna, enquanto instrutor do Centro de Preparação de Cumeré, teria solicitado armas, veículos e coletes à prova de bala ao Ministério do Interior, alegando necessidade para treinamentos, mas com intenções ocultas relacionadas ao golpe.

Segundo Turé, a tentativa de golpe “foi real e não uma invenção”, citando como exemplo o episódio de 1º de fevereiro de 2022, que só foi frustrado após o fracasso da missão. “Na época também disseram que era invenção, mas onze pessoas morreram e os políticos estavam por trás de tudo. Estão novamente a usar os militares para alcançar os seus objetivos”, afirmou.

Por fim, apelou à população para que se mantenha calma e confiante, garantindo que nada irá perturbar o processo eleitoral. Desafiou os políticos a se prepararem para o debate democrático, permitindo que o povo escolha com base nos programas de governação.

Por: Jacimira Segunda Sia

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