O candidato às eleições presidenciais apoiado pela Frente da Luta pela Independência da Guiné (FLING), Honório Augusto Lopes, criticou duramente a morosidade na efetivação de professores de pessoas com necessidades especiais e particularmente ligadas a Associação Guineense para Reabilitação e a Integração de Cegos (ACRICE), tendo defendido que é preciso que haja isenção total nas consultas e no tratamento médico, tendo indicado que é fundamental dar mais tratamento humano a essa camada da sociedade guineense.
”Se for Presidente da República, advogarei junto da Assembleia Nacional Popular que sejam criadas leis para reduzir os custos com encargos financeiros. No setor da educação, os professores que trabalham nesta escola até ao momento estão a aguardar o processo de efetivação que está a durar uma eternidade no Ministério da Educação, Ensino Superior e Investigação Científica, por amor de Deus em que século estamos”, lamentou o candidato na sua declaração aos jornalistas depois da visita efetuada na terça-feira, 11 de novembro, às instalações da AGRICE, em Bissakel, arredores da capital Bissau.
Honório Augusto Lopes afirmou que se for eleito Presidente da República vai advogar junto do órgão legislativo do país para criar dispositivos legais que protejam os interesses das pessoas com deficiência na Guiné-Bissau.
O candidato presidencial disse ter recebido informações desse centro que acolhe crianças, adolescentes e jovens com as necessidades especiais de que os problemas recorrentes que enfrentam, com frequência, no seu dia-a-dia, têm a ver com a educação, a saúde, o mercado do emprego e a inserção social.
Honório Augusto Lopes criticou a morosidade da administração pública na dinamização do aparelho de Estado, que tem prejudicado muitas pessoas, incluindo pessoas com problemas especiais.
”Repara que alguém fez um esforço enorme para se formar e formou-se, apenas o Estado é que não está em condições de empregá-lo por anos. Por amor de Deus, não pode existir outra injustiça mais do que isso. Isto não é humano”, criticou.
Segundo Honório Augusto Lopes, é uma obrigação do Estado e das suas instituições responsáveis garantirem a educação e a saúde, bem como outros direitos fundamentais consagrados na Constituição aos seus cidadãos.
”Não podem imaginar quantos milhões de francos CFA’S estão a ser gastos nesta campanha eleitoral, que poderiam ter sido canalizados para os setores sociais chaves, nomeadamente saúde, educação e pessoas com deficiência. Nós não temos nada, mas estamos aqui para manifestar-vos a nossa solidariedade e sentir o que sentem diariamente, nem que seja por horas ou dias”, denunciou.
O candidato alertou os alunos da ACRICE que o voto é um ato de cidadania que exige muita responsabilidade, mas “ se querem sair dessa situação, façam a sua escolha no dia 23 de novembro e façam-na em mim e agora, porque sou professor universitário”.
Por sua vez, Mamadi Camará, porta-voz dos alunos da ACRICE, disse terem recebido a visita de um dos candidatos às presidenciais com muita gratidão, por ser a primeira visita que recebem desta natureza e disse que uma das barreiras que as pessoas com deficiência da ACRICE enfrentam tem a ver com as condições logísticas (transporte), locomoção e materiais didáticos acessíveis que podem facilitar uma aprendizagem adequada.
Segundo dados disponíveis, na Guiné-Bissau estima-se estejam a viver, no país, cerca de 12.000 deficientes, com problemas especiais e que precisam de “muita ajuda” e “amparo”.
Por: Filomeno Sambú





















