[ENTREVISTA EXCLUSIVA] O candidato à presidencial apoiado pela Frente Patriótica de Salvação Nacional (FREPASNA), Baciro Djá, defendeu o fim das tendências étnicas na administração pública do país e disse que se for eleito Presidente da República, aplicará medidas e ações concretas para o reforço da unidade e da coesão nacional com base nas diversidades étnicas da Guiné-Bissau.
Em entrevista ao jornal O Democrata no âmbito das presidenciais e para dar parte da sua visão e projeto político para a Guiné-Bissau, Baciro Djá aconselhou que será necessário evitar de ter partidos políticos com tendências étnicas, tendo afirmado que não se pode democratizar uma sociedade sem democratizar o interior dos partidos políticos.
Baciro Djá disse que, para além das componentes históricas (ter estudado ciências políticas, sociologia e Psicologia para ter elementos que o permitem compreender este fenómeno), decidiu candidatar-se às presidenciais por duas razões fundamentais, uma dimensão religiosa, por política ser um ato de ajudar o próximo, os vulneráveis e por a melhor maneiro de estar perto de Deus e outra dimensão Psicopedagógica, mudanças de atitudes e de comportamentos.
LIDER DA FREPASNA PROMETE SER UM ELEMENTO ARTICULADOR DOS ÓRGÃOS DA SOBERANIA SE FOR ELEITO
“É necessário criar uma entidade própria, para isso não será necessário ir à farmácia para comprar medicamentos para promover mudanças de atitudes e de comportamentos numa sociedade. Existe toda uma técnica para fazê-lo, a dimensão Psicopedagógica. Era isso que Amílcar Cabral outrora dizia: os que sabem devem ensinar aos que não sabem”, disse.
Baciro Djá disse que se for eleito Presidente da República, será um presidente respeitador das leis e da Constituição, por ser garante da carta magna, da soberania e demais leis, que terá coragem de juntar todos os filhos da Guiné-Bissau e será amigo do governo que sairá das eleições legislativas de 23 de novembro. Que não se imiscuirá nos assuntos do governo, por existir separação de poderes e finalmente um elemento articulador dos órgãos da soberania
Instado a pronunciar-se relativamente à atual configuração do Supremo tribunal de Justiça, o candidato apoiado pela Frente Patriótica de Salvação Nacional (FREPASNA) disse que trabalhará para que o presidente deste órgão seja escolhido entre seus pares, respeitando a hierarquia, a postura e a ética de cada elemento que faz parte deste órgão.
“Temos que apostar nas pessoas idóneas, com ética, moral e percurso feito para poder integrar o Conselho Superior da Magistratura Judicial. O grande risco que corremos é escolher pessoas que não preenchem esses requisitos. Sempre serão passíveis de corrupção”, assinalou.
Baciro Djá afirmou que o sistema judiciário está cheio de vícios e corrupção, razão pela qual defendeu que será necessário fazer “reformas profundas” dentro do sistema, frisando que um dos melhores mecanismos para acabar ou atacar a corrupção pelas raízes é aplicar a lei, banir a impunidade e ser, enquanto o primeiro magistrado da nação, o primeiro cumpridor das leis, porque “ a ética e a moral são dois elementos fundamentais no exercício de qualquer profissão, sobretudo na política”.
Questionado como avalia o atual papel das forças de defesa e segurança e como pretende colaborar com o executivo na tomada de medidas que garantam a sua atuação nos ditames da Constituição e demais leis, o político defendeu umas Forças Armadas republicanas e subordinadas ao poder político, aos serviços das instituições e das leis, não umas Forças Armadas que estejam ao serviço de pessoas.
Afirmou que ultimamente tem havido uma cumplicidade, manipulação e interferência do poder político junto das Forças Armadas, admitindo que “há preferência de uma falta de equidistante institucional entre forças de defesa e segurança, sobretudo com a figura do Presidente da República”.
“O Presidente da República é o comandante em chefe das Forças Armadas, mas na base das regras. Não pode usá-las para caprichos e ordens pessoais. Existem regras e normas que regulam a dinâmica de funcionamento entre o Presidente da República e as forças de defesa e segurança”, esclareceu.
Para imprimir ações concretas para o reforço da unidade e da coesão social com base nas diversidades que o país tem, Baciro Djá aconselhou que será necessário evitar de partidos políticos com tendências étnicas, tendo afirmado que não se pode democratizar uma sociedade sem democratizar o interior dos partidos políticos.
“MADEM-G 15 é um partido que surgiu na base étnica e o PRS também. Os dois partidos sempre procuram pessoas com as quais têm alguma afinidade étnica, relegando a meritocracia para outros planos e como consequência vamos ter uma função pública menos dinâmica e ao serviço dos partidos políticos, com base no pendor étnico e religioso”, criticou Baciro Djá.
O presidente da FREPASNA, que agora concorre às presidenciais de 23 de novembro lamentou que a Guiné-Bissau, enquanto membro fundador de várias organizações sub-regionais e comunitárias, nomeadamente a CEDEAO, a CPLP e a União Africana e com um papel histórico nessas organizações, tenha tido ultimamente relações azedas com essas mesmas organizações.
Baciro Djá disse que o Presidente cessante e candidato à sua própria reeleição, Umaro Sissoco Embaló, personalizou ultimamente a sua figura em detrimento da figura do Estado da Guiné-Bissau.
“Ninguém está acima do Estado. O Estado é mais importante do que qualquer figura. As figuras chegam e vão e o Estado e as instituições ficam. Infelizmente, nos últimos tempos há uma crescente personificação das instituições. É uma pessoa que fala sempre na primeia pessoa. Quando o Estado da Guiné-Bissau foi fundado ele tinha quantos anos de idade?”, criticou e disse que essa atitude levou à quebra de dinâmica nas relações com as organizações de que a Guiné-Bissau é membro fundador e outras instituições internacionais de que faz parte.
Quanto à atuação do Presidente cessante nos cinco últimos anos no âmbito das suas atribuições constitucionais, Djá disse que passou todo o tempo a “dançar” em cima da Constituição e afirmou que a sua atuação é nula, com um certo protagonismo a autoproclamar-se embaixador do país.
“Um diplomata que anda a fazer as malas sem nenhum resultado da sua diplomacia. Em que dia, durante o seu mandato de cinco anos e mais um que roubou do povo, fez uma diplomacia económica. Saido país sozinho, faz as malas e volta de mãos a abanar. Alguma vez senhor jornalistas viu o Presidente Umaro a viajar com um grupo de empresários para interagir com outros empresários? Apresentar projetos estruturante de desenvolvimento?”, questionou Djá, afirmando tudo que Sissoco Embaló desenvolveu ou construiu na Guiné-Bissau na sua administração são projetos que já existiam, “desde a elaboração das fichas até à mobilização de fundos de execução são projetos antigos, apenas fez continuidade porque também é a natureza de um governo”.
POLÍTICO ASSEGURA QUE A GUINÉ-BISSAU É UM DOS PAÍSES MAIS SEGUROS DO MUNDO
Nos últimos tempos tem havido crescentes preocupações com o terrorismo e o jihadismo na sub-região, uma situação que está a preocupar não só os guineenses como todos os cidadãos do mundo.
Questionado de que forma pretende contribuir para o reforço da segurança nacional e da cooperação regional nesta matéria, o político assegurou que a Guiné-Bissau é um dos países mais seguros do mundo, não existe nenhum tipo de fundamentalismo religioso, apenas oportunismo religioso para cativar votos.
“Não se pode falar disso aqui. Fui coordenador de defesa e segurança, da inteligência e contrainteligência militar, bem como da segurança de Estado. É claro que estamos numa zona sub-regional propensa a esses fenómenos, por questões económicas não religiosas. As questões religiosas estão subjacentes às questões económicas e financeiras. O que temos na sub-região é a questão do petróleo e ouro, problemas geoeconómicos. Uns querem controlar tudo, no caso da Argélia quer ter monopólio do petróleo e deixar outros com nada. Pode sim existir interesses geopolíticos estratégicos, mas os interesses económicos estão acima de tudo isso”, afirmou e disse que em relação ao crime organizado e o tráfico transfronteiriço, que continuam a afetar a estabilidade nacional, são fenómenos que acontecem exclusivamente na Guiné-Bissau e que é precisar trabalhar internamente com ajuda das organizações internacionais.
Na sua mensagem aos eleitores, Baciro Djá disse que a maior riqueza que a Guiné-Bissau tem é a tolerância, a coesão social e a unidade nacional e que até aqui é único candidato que não fez campanha com discursos voltados à divisão étnica e religiosa, à incitação ao ódio, à violência, por isso o povo deve apostar no seu projeto político, por ser único o único guineense, entre os candidatos concorrentes, capaz de promover a unidade nacional e por ser também o único opositor de Umaro Sissoco Embaló.
“Fernando Dias da Costa e Nuno Gomes Nabian ajudaram Umaro Sissoco a chegar ao poder. Trabalharam juntos e assumiram pastas ministeriais. Só começaram a reclamar depois de perderem essas regalias. José Mário Vaz ajudou-o a instalar-se no Palácio da República, portanto ele não tem nenhum opositor além Baciro Djá”, disse.





















