O Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Câmara do Comércio, Indústria, Agricultura e Serviços (CCIAS), Januário José Moreno Sano, acusou esta quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, o presidente suspenso da instituição, Mama Samba Embaló, de ser o principal responsável pelo descontrolo financeiro registado na CCIAS. Segundo afirmou, essa situação esteve na origem da sua suspensão, considerando que a medida funcionou como uma “carta estancada”, por ser ele o foco dos problemas enfrentados pela organização.
Januário José Moreno Sano afirmou ainda que a CCIAS atravessou um período prolongado de instabilidade, mas que, com o patrocínio do Primeiro-Ministro, do Ministro da Economia, Plano e Integração Regional e a intervenção direta dos responsáveis da instituição, foi possível alcançar um consenso e chegar a bom porto. Destacou que houve uma verdadeira reconciliação entre os membros anteriormente desavindos da CCIAS.
O responsável falava aos jornalistas após o encontro de reconciliação entre as partes em conflito na Câmara do Comércio, Indústria, Agricultura e Serviços, realizado na Primatura, na presença do Primeiro-Ministro, Ilídio Vieira Té. Na ocasião, explicou que o objetivo do encontro foi testemunhar, perante o Chefe do Executivo e o Governo no seu todo, o processo de reconciliação que a instituição vinha conduzindo ao longo dos últimos tempos.
Segundo Januário José Moreno Sano, o processo de reconciliação visa permitir que a instituição seja dirigida por um conselho diretivo com a missão de trabalhar para a realização de uma Assembleia Geral, num período a ser definido oportunamente.

Questionado sobre a possibilidade de reconciliação entre as partes num momento em que o processo se encontra em tribunal, o Presidente da Mesa da Assembleia Geral afirmou que a CCIAS é um interlocutor privilegiado do setor privado junto do Governo. Nesse sentido, considerou que o Executivo não pode deixar a Câmara do Comércio, Indústria, Agricultura e Serviços “mutilada” devido à existência de um processo judicial de pequena dimensão.
Por sua vez, o presidente suspenso da CCIAS, Mama Samba Embaló, afirmou que foi convocado pelo Ministro da Economia, Plano e Integração Regional para uma reunião com o Primeiro-Ministro, mas que o que presenciou foi, no seu entender, um “golpe institucional” contra o setor privado guineense. Segundo disse, foram feitas acusações graves de gestão danosa, cujo processo se encontra no Ministério Público há mais de um ano e dois meses.
Mama Samba Embaló explicou que, durante esse período, delegou poderes a um dos responsáveis da CCIAS, Bacar Baldé, e que, após o arquivamento do processo, reassumiu as funções de presidente da instituição.

“Quando reassumi as minhas funções, foi novamente submetido ao Ministério Público, desde 2025, um pedido de intervenção hierárquica, cujo pronunciamento ainda aguardamos. Hoje fui chamado para assistir a um golpe institucional na Câmara do Comércio, Indústria, Agricultura e Serviços, assumido pelo Chefe do Governo e pelo Ministro da Economia, com vista à elaboração de um memorando de entendimento entre partes desavindas, algo que não existe na lei”, sublinhou.
Mama Samba Embaló garantiu ainda que nunca assinou, nem assinará, qualquer documento relativo à reconciliação no seio do setor privado. Reiterou que foi acusado de gestão danosa e que o processo continua sob apreciação do Ministério Público, entidade que considera competente para dirimir o conflito. Nesse sentido, afirmou não reconhecer qualquer decisão tomada e declarou que continua a ser o presidente legítimo da CCIAS até ao cumprimento do seu mandato de cinco anos.
Por: Aguinaldo Ampa





















