A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) apelou, esta quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, aos decisores políticos para a implementação efetiva da Lei da Paridade, bem como para a garantia de uma inclusão real das mulheres nos espaços de decisão e a integração sistemática da perspetiva de género nas políticas públicas.
O apelo foi lançado pelo presidente da LGDH, Bubacar Turé, durante a cerimónia de tomada de posse dos órgãos sociais da Plataforma Política das Mulheres (PPM), eleitos na 3.ª Assembleia Geral daquela organização para um mandato de quatro anos.
Na ocasião, Bubacar Turé defendeu que a promoção da participação plena das mulheres fortalece o poder democrático, equilibra a sociedade e qualifica a liderança política. Apelou, por isso, às instituições do Estado e às lideranças tradicionais para que rompam com padrões culturais e institucionais que perpetuam a desigualdade de género.
O ativista dos direitos humanos sublinhou que, apesar dos avanços legislativos alcançados, a realidade continua a apresentar desafios persistentes. Referiu ainda que dados recentes indicam que, não obstante a existência da Lei da Paridade, apenas 9,8% dos assentos no parlamento são ocupados por mulheres.
Bubacar Turé apelou igualmente à sociedade em geral e, em particular, aos atores políticos, para que promovam uma mudança profunda de mentalidades relativamente à igualdade de género, que, segundo afirmou, continua muitas vezes a ser tratada como mera formalidade legal ou retórica circunstancial.
“Não haverá consolidação democrática verdadeira enquanto a igualdade de género depender de circunstâncias conjunturais”, insistiu.
Para o presidente da LGDH, a igualdade de género exige mais do que legislação: requer vontade política, compromisso ético e uma transformação cultural profunda. Nesse sentido, apelou também aos parceiros internacionais da Guiné-Bissau para que coloquem a igualdade de género no centro das suas prioridades de cooperação, reforçando o apoio técnico e financeiro ao empoderamento das mulheres e contribuindo para a estabilidade, a democracia e o desenvolvimento sustentável do país.
Por sua vez, a presidente reeleita da Plataforma Política das Mulheres da Guiné-Bissau, Silvina Tavares, comprometeu-se a liderar a organização com transparência e determinação, em defesa das mulheres e da democracia.
Silvina Tavares explicou que a visão da sua direção para os próximos quatro anos assenta em cinco pilares considerados inegociáveis. O primeiro é a consolidação institucional, através do fortalecimento das antenas regionais.
“A PPM não pode estar apenas em Bissau; deve ecoar em cada região, setor e secção do país”, afirmou.
Segundo a dirigente, a organização avançará, de seguida, com a capacitação política, através da implementação de programas de monitorização e formação dirigidos a jovens mulheres. A PPM pretende igualmente promover a autonomização económica, mobilizando parceiros de desenvolvimento para garantir microcréditos, formação em empreendedorismo e acesso à terra para mulheres urbanas e empreendedoras rurais.
Entre as prioridades constam ainda a promoção da igualdade de direitos e oportunidades e a adoção de uma política de tolerância zero à violência e à discriminação.
“Seremos as vozes mais altas contra a violência baseada no género”, concluiu.
Por: Carolina Djeme





















