A Federação de Basquetebol da Guiné-Bissau (FBGB) está focada no relançamento, em 2026, da seleção nacional sénior masculina, apostando em jogadores de origem guineense que atuam na Europa, principalmente em França e Portugal. O objetivo é garantir a participação da Guiné-Bissau nas eliminatórias de qualificação para o Campeonato Africano e para o Campeonato do Mundo de Basquetebol de 2027.
O organismo que gere a modalidade no país contará com o apoio da Federação Portuguesa de Basquetebol e de alguns clubes portugueses para a concretização desta iniciativa, que permitirá à Guiné-Bissau integrar, de forma oficial, diversas competições internacionais de basquetebol no futuro.
A informação foi avançada na quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026, ao jornal O Democrata, pelo presidente da FBGB, Claudemiro Almeida, durante uma entrevista em que fez o balanço das atividades do órgão e traçou as perspetivas para 2026.
“Queremos, nesta fase, contar sobretudo com atletas de origem guineense que jogam fora do país. Esta abertura não visa penalizar ninguém a nível interno, mas criar condições para que esses atletas possam representar a seleção nacional em competições internacionais. São jogadores que não têm condições para representar outras seleções europeias e estão dispostos a jogar pela Guiné-Bissau. Já perspetivamos um encontro com eles no mês de junho, em Portugal”, afirmou.
Segundo Claudemiro Almeida, a federação tem cumprido as suas obrigações junto das instâncias internacionais. “A nossa federação sempre honrou os seus compromissos, nomeadamente o pagamento das quotas junto da Confederação Africana de Basquetebol e da Federação Internacional de Basquetebol, o que nos permite participar, a qualquer momento, em competições internacionais. Decidimos reativar a seleção nacional e iniciar a sua preparação, contando com o contributo da Federação Portuguesa de Basquetebol e de alguns clubes portugueses, com base na diáspora”, declarou.
Além da seleção nacional sénior composta por jogadores que atuam na Europa, a FBGB está igualmente a preparar uma seleção a nível interno para participar numa futura competição da sub-região, que deverá envolver países como Senegal, Gâmbia, Guiné-Conacri, entre outros da África Ocidental.
Claudemiro Almeida explicou ainda que os jovens promissores da modalidade iniciarão os treinos já no próximo mês de março.
O líder federativo, antigo jogador de basquetebol, recordou também a sua experiência no Senegal, país onde estudou e praticou a modalidade, sublinhando que, além do Campeonato Nacional em curso, a FBGB perspetiva a realização de vários torneios de basquetebol ao longo de 2026.
Apesar dos planos, Almeida lamentou a falta de apoio financeiro das autoridades, situação que, segundo afirmou, tem condicionado a realização das atividades da federação desde o início do seu mandato.
“Muitas vezes tivemos de recorrer aos nossos próprios bolsos para garantir a realização das atividades da FBGB. Apesar do apoio de algumas pessoas e do Comité Olímpico da Guiné-Bissau, continuamos a enfrentar sérias dificuldades financeiras”, referiu.
Embora tenha reconhecido algum apoio pontual do Governo, o presidente da FBGB garantiu que a federação nunca recebeu subvenções regulares que permitissem implementar plenamente as iniciativas previstas ao longo do mandato de quatro anos.
“A ausência de subvenções levou, por exemplo, à suspensão do Campeonato Nacional durante um ano, por falta de condições financeiras. Ainda assim, apesar das dificuldades, acreditamos que será possível concretizar todas as iniciativas em 2026”, reforçou.
No final, Claudemiro Almeida, que se encontra a terminar o seu mandato à frente da FBGB, destacou o trabalho desenvolvido pela atual direção na recuperação e expansão do basquetebol no país.
Importa recordar que a guerra civil de 7 de junho de 1998 paralisou severamente as atividades desportivas na Guiné-Bissau. O basquetebol, à semelhança de outras modalidades, foi fortemente afetado pela destruição de infraestruturas, suspensão de campeonatos e interrupção do desenvolvimento competitivo nacional.
Por: Alison Cabral





















