FMI APROVA NOVO DESEMBOLSO PARA GUINÉ‑BISSAU APÓS AVALIAÇÃO POSITIVA

O Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu esta sexta‑feira, 20 de março de 2026, a Nona e Décima Avaliações do programa da Facilidade de Crédito Alargado (ECF) da Guiné‑Bissau, autorizando um desembolso imediato de cerca de 3,2 milhões de dólares. Com este montante, o país soma aproximadamente 50,8 milhões de dólares recebidos no âmbito do programa.

Segundo o comunicado desta organização financeira, consultado por O Democrata, a execução do programa registou atrasos após a mudança de governo em novembro de 2025, mas o executivo de transição reafirmou o seu compromisso com as reformas. O Conselho de Administração aprovou também a extensão do programa até 29 de dezembro de 2026 e ajustou o calendário de financiamento.

DESEMPENHO ABAIXO DO ESPERADO, MAS INDICADORES MELHORAM

Entre junho e dezembro de 2025, vários critérios de desempenho não foram cumpridos: apenas 5 dos 15 marcos estruturais foram concluídos no prazo, e os três marcos contínuos falharam. Ainda assim, o FMI concedeu derrogações e ajustou as metas, permitindo a continuidade do programa.

A instituição estima que a economia tenha crescido 5,5% em 2025, impulsionada pela campanha do caju e pela melhoria dos termos de troca. A inflação caiu para 0,9% e o défice da balança corrente recuou para 6,2% do PIB. A dívida pública baixou para 75,3% do PIB, embora o FMI sublinhe a necessidade de manter disciplina orçamental e prudência no endividamento.

FMI SAÚDA MEDIDAS CORRETIVAS, MAS ALERTA PARA RISCOS

O Subdiretor‑Geral do FMI, Sr. Li, reconheceu a resiliência económica do país, mas advertiu para riscos relevantes. Segundo o responsável, “perturbações políticas no final de 2025 afetaram o desempenho, mas as autoridades estão a implementar medidas corretivas”.

O FMI realça que o Orçamento de 2026 reforça a consolidação orçamental, priorizando o controlo da massa salarial, a melhoria da cobrança de receitas — incluindo ajustamentos aduaneiros — e a recuperação de atrasados, com atenção especial aos grandes contribuintes.

SETOR FINANCEIRO E ENERGIA SOB AVALIAÇÃO

O relatório destaca avanços no setor financeiro, com a alienação do banco subcapitalizado já concluída e a sua recapitalização em curso, prevendo‑se uma segunda injeção de capital em breve. O FMI recomenda a conclusão rápida do processo para garantir o cumprimento das normas prudenciais.

No setor da energia, as reformas na empresa pública permitiram reduzir perdas, melhorar a recuperação de custos e aumentar o número de ligações. O Governo avalia agora novas opções de reforço da capacidade através do mercado regional e de fornecedores privados.

GOVERNANÇA: PROGRESSOS E DESAFIOS

O FMI assinala melhorias na transparência dos concursos públicos e na divulgação de beneficiários efetivos, mas considera necessário reforçar a responsabilização e promover um melhor clima de negócios.

Por: Redação

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