Figura da semana: CONDUTO DE PINA DISTINGUIDO COM O PRÉMIO LITERÁRIO GUERRA JUNQUEIRO LUSOFONIA 2025

O escritor guineense Francisco Conduto de Pina foi distinguido com o Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia 2025, um reconhecimento do seu percurso literário e do contributo que tem dado à promoção da cultura e da escrita guineense.

Criado em 2017 e estendido a todos os países da CPLP a partir de 2020, o prémio inspira‑se no legado do poeta português Guerra Junqueiro e tem como objetivo valorizar a literatura em língua portuguesa e reforçar os laços culturais entre os países lusófonos.

Nesta edição, também foram galardoados José Mena Abrantes (Angola), Inês Pedrosa (Portugal), Paulo Coelho (Brasil), Fátima Bettencourt (Cabo Verde), Daniel Braga (Timor-Leste), Lúcio Amado Neto (São Tomé e Príncipe), Maria Jesus Evuna Andeme(Guiné Equatorial) e Sónia Sultuane (Moçambique).

Além de Conduto de Pina, já foram distinguidos outros escritores guineenses nas edições anteriores: António Soares Lopes (Tony Tcheca) em 2020, Adulai Silla em 2021, Ernesto Dabó em 2022, Odete Costa Semedo em 2023 e Emílio Tavares Lima em 2024.

BIOGRAFIA

Francisco Conduto de Pina nasceu em 17 de novembro de 1957, em Bubaque. Estudou Artes Visuais e Belas Artes em Lisboa, onde iniciou a sua produção literária ainda enquanto estudante. Foi o primeiro autor a publicar em crioulo guineense, com a obra Garandessa di no tchon (1978), traduzida para português como “As maravilhas da nossa terra”.

Poeta e político, ocupou diversos cargos públicos na Guiné-Bissau, entre os quais diretor‑geral do Turismo, secretário de Estado do Turismo, ministro do Turismo, ministro do Turismo e Ordenamento do Território e secretário de Estado da Juventude, Cultura e Desportos.

Foi deputado da Nação entre 1994 e 2014 e, novamente, entre 2019 e 2024, pelo PAIGC, integrando o Bureau Político e o Comité Central. Participou em várias Comissões Especializadas da ANP – Assembleia Nacional Popular – e foi um dos fundadores da UNAE (União Nacional de Artistas e Escritores) em 1982.

É também membro fundador da AEGUI (Associação de Escritores da Guiné-Bissau), membro de várias ONG, da Direção do Corpo Nacional de Escutas e cofundador do Lions Club Internacional de Bissau.

A sua obra inclui, além de Garandessa di no tchon (1978), os livros O Silêncio das Gaivotas (Instituto Camões, Centro Cultural Português – Bissau, 1997) e Palavras Suspensas (Thesaurus, Brasil, 2012). Participou ainda nas coletâneas Kebur (1996), Barkafon di poesia na Kriol (INEP, 1991) e Eco do Pranto (1992).

Colaborou igualmente no projeto lusófono Portuguesia: Minas entre os povos da mesma língua (Brasil, 2008), idealizado pelo poeta Wilmar Silva e apoiado pela Usiminas e pela CPLP. Tem poemas publicados em revistas e jornais nacionais e internacionais, e alguns dos seus textos foram traduzidos para russo numa coletânea de poetas africanos.

Por: Epifania Fernandes

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