O Conselho Nacional de Transição (CNT) advertiu o Governo português contra aquilo que considera ser uma interferência nos assuntos internos da Guiné‑Bissau.
A posição foi tornada pública esta segunda‑feira, 23 de março de 2026, através de um comunicado lido pelo porta‑voz do órgão, Fernando Vaz.
No documento, o CNT afirma que o ministro português Paulo Rangel e o Governo de Portugal “não têm legitimidade para ditar orientações” ao país.
A reação surge após declarações feitas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, que, segundo noticiou a RFI na sexta‑feira, 20 de março, reiterou em França o apoio português aos setores da saúde e educação na Guiné‑Bissau. Rangel acrescentou ainda que Lisboa continua a trabalhar, através de canais diplomáticos, em particular com Angola e Brasil, para o regresso do país à normalidade democrática.
No comunicado, o CNT acusa o atual Governo português de adotar uma postura “hostil” face à Guiné‑Bissau, alegando um afastamento das relações de cooperação mantidas com anteriores executivos portugueses.
O órgão considera igualmente que a posição de Lisboa contrasta com a de outros países europeus, sublinhando que algumas nações têm optado por uma abordagem “mais pragmática” perante realidades políticas distintas.

O CNT anunciou ainda que a Guiné‑Bissau não reconhecerá a presidência de Timor‑Leste na CPLP e rejeitou qualquer forma de ingerência externa, defendendo uma “diplomacia de recato e confidencialidade”.
No mesmo documento, o Conselho abordou a cooperação bilateral e o papel da comunidade guineense em Portugal, frisando que a parceria entre os dois países deve assentar numa relação de interdependência e não ser entendida como um ato de benevolência.
O órgão defende uma cooperação baseada no respeito mútuo, sem práticas consideradas paternalistas, e reiterou que a diplomacia guineense deve pautar‑se pela transparência e pela dignidade.
Por: Carolina Djeme





















