O presidente do coletivo de condutores e proprietários de transportes rodoviários de mototáxis, Biro Seide, pediu ao Ministério dos Transportes, Telecomunicações e Economia Digital e à Direção-Geral de Contribuições e Impostos a concessão de, pelo menos, seis meses de trégua antes do início da cobrança das licenças de circulação.
O pedido foi feito nesta quarta-feira, 3 de junho de 2026, durante uma conferência de imprensa, em reação ao despacho das autoridades do setor, que, segundo o responsável, está a criar barreiras à circulação de mototáxis nas vias públicas de Bissau.
Biro Seide afirmou que, caso o Governo suspenda a medida, todos os mototaxistas irão regularizar a sua situação até janeiro de 2027, antes de retomarem a circulação.
O sindicalista informou ainda que, na sequência do despacho governamental, a organização reuniu-se com a Direção-Geral de Viação e Transportes Terrestres, que alegou estar apenas a “cumprir orientações superiores”, sem margem para alterar a decisão.
“Estamos em contacto com o primeiro-ministro e com o ministro dos Transportes, Telecomunicações e Economia Marítima para negociar os termos de pagamento. Mas, neste momento, o nosso foco é garantir a trégua de seis meses, para que, em 2027, todos possam regularizar a sua situação”, afirmou.
Segundo Biro Seide, o Governo determinou o pagamento de 13.000 francos CFA pela licença de circulação semestral, acrescido de 11.500 francos CFA referentes às finanças, totalizando 24.500 francos CFA por cada seis meses.
Contudo, admitiu que, caso o Executivo endureça as medidas, a classe não terá alternativa senão acatá-las.
“Infelizmente, quem sai prejudicada é a população. Situações críticas poderão deixar de ser atendidas e zonas de difícil acesso ficarão isoladas por tempo indeterminado. Os mototáxis têm sido verdadeiros ‘bombeiros’ das comunidades. Chegamos onde mais ninguém chega. Ainda assim, a polícia não nos facilita a vida”, criticou.
Durante o encontro com a imprensa, o responsável destacou ainda a situação da ponte no setor de Cacine, que se encontra praticamente degradada.
“Neste momento, os mototáxis são fundamentais para garantir a mobilidade da população na zona sul do país. Em Bissorã, no norte, chegam a transportar cadáveres devido à falta de outros meios de transporte”, referiu.
O presidente do coletivo acusou também a Federação das Associações de Condutores de cumplicidade com o Governo, justificando assim a não adesão à greve convocada pela federação.
Segundo Biro Seide, a federação terá pressionado o Executivo a aceitar propostas contrárias aos interesses de parte do setor.
Neste sentido, apelou ao Governo para suspender a cobrança das licenças até ao próximo ano, como forma de aliviar as dificuldades enfrentadas pelos mototaxistas.
“A federação obrigou o Governo a aceitar propostas contra a sua própria vontade. Ainda assim, acreditamos que o Executivo poderá reconsiderar a sua posição. Tanto a federação como os motoristas são parceiros do Governo”, concluiu.
Entretanto, o jornal O Democrata contactou o Conselho Fiscal da Federação dos Motoristas em Bissau, mas a organização declinou prestar declarações.
Por: Natcha Mário M’bundé


















