Instituto de Meteorologia aposta em tecnologia para acompanhar campanha agrícola

O Instituto Nacional de Meteorologia está a apostar na capacitação técnica dos quadros do sistema de informação da Guiné-Bissau para reforçar a monitorização da campanha agrícola, da vegetação e das chuvas através dos Produtos de Observação da Terra (POT).

A informação foi avançada nesta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, por Orlando Mendes, quadro superior do Instituto Nacional de Meteorologia e representante do presidente da instituição, durante a cerimónia de abertura da formação sobre a utilização dos Produtos de Observação da Terra no monitoramento agropastoril.

Segundo Orlando Mendes, a utilização de dados de satélite permitirá acompanhar, à distância, as condições pluviométricas e a evolução da vegetação em diferentes localidades do país, reduzindo a necessidade de deslocações ao terreno para a recolha de informações.

“Antes desta formação, era necessário deslocarmo-nos ao terreno para recolher dados ou recorrer ao contacto telefónico com os representantes do instituto”, explicou.

O responsável sublinhou que a utilização dos Produtos de Observação da Terra permitirá à Guiné-Bissau dispor, de forma regular, de informações atualizadas sobre a evolução da campanha agrícola, da vegetação e das chuvas.

Acrescentou ainda que a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos durante a formação permitirá aos técnicos aceder e analisar informações atualizadas sempre que necessário.

Orlando Mendes destacou igualmente que o acesso aos produtos dependerá da qualidade da ligação à internet. “Com uma boa conexão à internet, é possível aceder aos produtos sem demora. Se a ligação for fraca, poderão surgir dificuldades”, alertou.

Por sua vez, Lona Issaka, perito em climatologia do Centro Regional AGRHYMET, afirmou que a formação permitirá ao país complementar os dados recolhidos no terreno com informações provenientes de satélites.

O especialista salientou que a utilização desses dados poderá contribuir para uma melhor previsão do rendimento agrícola e reforçar o acompanhamento da campanha agrícola em todo o território nacional.

Lona Issaka revelou ainda que, antes da realização da formação na Guiné-Bissau, o Centro Regional AGRHYMET conduziu um estudo sobre a utilização dos Produtos de Observação da Terra na África Ocidental.

“Apesar dos esforços realizados pela Guiné-Bissau, verificámos que ainda existiam lacunas ao nível da formação dos quadros do sistema de informação na utilização dos Produtos de Observação da Terra”, afirmou.

A formação sobre a utilização dos Produtos de Observação da Terra (POT) é ministrada pelo Centro Regional AGRHYMET, sediado no Níger, e reúne quadros do sistema de informação da Guiné-Bissau.

Por: Natcha Mário M’Bundé

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