O vice-coordenador da organização do Festival de Tombali (Arte Sul), Nelson Miranda, afirmou que a região enfrenta atualmente sérios desafios relacionados com o aumento do custo de vida, a fragilidade económica, a falta de água potável e as dificuldades no fornecimento de energia elétrica.
Segundo Nelson Miranda, após a construção da estrada que liga Buba a Tombali, a população do corredor sul do país passou a enfrentar uma subida generalizada dos preços dos bens alimentares, agravando significativamente o custo de vida e a vulnerabilidade das famílias.
“O custo de vida aumentou na região. É verdade que qualquer transição tem as suas implicações e que o desenvolvimento também produz impactos positivos e negativos na vida das populações. Neste momento, Tombali enfrenta uma grave falta de água potável. O furo que abastecia as famílias deixou de funcionar devido a avarias nas motobombas, embora existam diligências em curso para resolver a situação”, explicou.
Nelson Miranda falava esta quinta-feira, 20 de agosto de 2026, durante a cerimónia de lançamento do Festival Cultural da Região de Tombali, marcado para novembro deste ano, sob o lema “Tombali, terra de luta, cultura e biodiversidade”.
Embora o Governo esteja a trabalhar para melhorar o setor energético, Miranda considerou urgente garantir o fornecimento regular de eletricidade à região, de modo a impulsionar outros setores essenciais e contribuir para a resolução dos problemas de acesso à água potável.
No setor da saúde, assegurou que todos os setores administrativos da região dispõem de postos sanitários. Contudo, salientou a necessidade de reforçar a prestação de serviços essenciais de saúde, especialmente junto das populações mais vulneráveis.
Relativamente ao Festival Cultural de novembro, Nelson Miranda revelou que o evento terá três objetivos principais: resgatar e valorizar a diversidade cultural da região, promover o património cultural local e reforçar a imagem de Tombali como celeiro da Guiné-Bissau.
A organização informou ainda que, durante o festival, serão apresentados os patrimónios naturais da região e o seu contributo para o desenvolvimento do país.
Nesse contexto, será dada especial atenção à Floresta de Cantanhez, considerada um dos símbolos da luta de libertação nacional e habitat dos chimpanzés, bem como à exposição de obras de arte produzidas na região.
De acordo com o responsável, o festival decorrerá entre os dias 26 e 29 de novembro e contará com a participação dos cinco setores que compõem a região de Tombali. Cada setor apresentará os seus trajes culturais tradicionais e mostrará o seu potencial em diferentes áreas de desenvolvimento.
Durante o evento serão debatidos temas relacionados com educação, biodiversidade, cultura e desporto. O festival pretende igualmente servir como espaço de reflexão sobre a situação da região, razão pela qual os organizadores apelam à participação de todos os cidadãos, incluindo os anciãos, sem distinção de filiação política, etnia ou cor da pele.
Segundo a comissão organizadora, a primeira edição do festival foi promovida pelo então governador de Tombali, Adriano Ferreira “Atchutchy”. Desde então, o evento não voltou a realizar-se devido a divergências internas na região, entretanto ultrapassadas.

“Desta vez, toda a estrutura administrativa da região está mobilizada para esta iniciativa”, assegurou Miranda, destacando a diversidade cultural como um dos principais patrimónios de Tombali e um dos maiores atrativos do festival.
“O festival não terá prémios de participação. Tudo será feito numa base de amizade e confraternização. Cada setor terá a sua própria comissão de dinamização, e as inscrições serão gratuitas”, concluiu.
Por: Jacimira Segunda Sia


















