Vasco Cabral 100 anos: literatura, memória e identidade no centro das celebrações

A Casa das Letras e Artes Vasco Cabral (CLAVC), em parceria com a União Nacional dos Artistas e Escritores (UNAE), assinalou, na sexta-feira, 21 de agosto de 2026, em Bissau, o centenário do nascimento de Vasco Cabral, uma das figuras mais marcantes da literatura guineense e da história intelectual do país.

Sob o lema “A Luta é a Minha Primavera: 100 Anos de Poesia, Memória e Liberdade”, a cerimónia, realizada no Instituto Guimarães Rosa (Centro Cultural Brasil), marcou o início de um programa anual dedicado ao aprofundamento do conhecimento sobre a vida, a obra e o legado do escritor e poeta.

Na ocasião, a diretora executiva da CLAVC, Suaila da Fonseca Cá, destacou a importância de aproximar as novas gerações do pensamento e da produção literária de Vasco Cabral, considerando a sua obra uma referência fundamental para a compreensão da identidade, da memória e da história nacional. A responsável revelou ainda que a instituição está a trabalhar com o Instituto Camões na criação do Prémio Vasco Cabral, destinado a promover a literatura e a valorizar novos escritores.

Suaila Cá defendeu igualmente a criação de um museu dedicado a Vasco Cabral, com o objetivo de preservar e divulgar o seu património literário e documental. Segundo afirmou, as obras do autor constituem uma fonte incontornável para o estudo da luta de libertação nacional e devem permanecer acessíveis às futuras gerações.

‎”Caso alguém queira escrever a história da luta de libertação  nacional, as obras de Vasco Cabral serão um ponto de partida. Por esse motivo, as suas obras precisam ser preservadas para a nova geração de poetas. A nova  geração deve ler as obras de Vasco Cabral, para conhecer a sua história, identidade e memória do passo”, desafiou. 

A homenagem incidiu sobretudo na dimensão poética de Vasco Cabral e no papel da sua literatura na afirmação da identidade nacional, na consciência social e na promoção dos ideais de liberdade e esperança. O programa incluiu uma mesa-redonda sobre a sua obra, recital de poesia e uma exposição de fotografias e documentos históricos.

Em representação da Embaixada de Portugal, Andreia Pinto Alves sublinhou que a relevância de Vasco Cabral ultrapassa as fronteiras da Guiné-Bissau, destacando a sua contribuição para a cultura lusófona e a importância de garantir que o seu pensamento continue a ser estudado, divulgado e valorizado.

A cerimónia contou com a presença de escritores, artistas, poetas e familiares do homenageado, incluindo a viúva, Teresa Cabral, num encontro que celebrou não apenas a memória do autor, mas também a permanência da sua voz na literatura guineense e no espaço lusófono.

Por: Jacimira Segunda Sia

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