O enviado especial do presidente da Comissão da União Africana para a crise na Guiné-Bissau, o são-tomense Patrice Trovoada, transmitiu ao chefe do Governo de transição, Ilídio Vieira Té, a posição da organização africana de que os próximos passos do processo democrático, iniciado com o referendo constitucional de 30 de agosto de 2026, devem ser inclusivos até à realização das eleições simultâneas marcadas para 6 de dezembro.
Patrice Trovoada falava aos jornalistas esta sexta-feira, 4 de setembro de 2026, à saída de uma audiência com o chefe do Governo de transição. Na ocasião, recordou que essa é uma das recomendações da União Africana e da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).
“Fui recebido pelo primeiro-ministro da Guiné-Bissau como enviado especial do presidente da Comissão da União Africana. Falámos do processo em curso que deve culminar com as eleições no país. O chefe do Executivo informou-me sobre o desenrolar do Referendo Popular e pensamos que se trata de um passo importante. Agora, precisamos de garantir que as próximas etapas decorram em conformidade com as recomendações da União Africana e da Conferência da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental. Que seja um processo fundamentalmente inclusivo e que, no final, possamos fazer com que a Guiné-Bissau regresse à plena normalidade, sobretudo a uma estabilidade desejada pelo povo guineense”, sublinhou.
Questionado pelo jornal O Democrata sobre a posição da União Africana em relação às medidas restritivas impostas pelas atuais autoridades do país, Patrice Trovoada afirmou ter recebido garantias do primeiro-ministro de que, nas próximas semanas, haverá avanços no sentido do regresso pleno das atividades políticas.
“Em função do calendário estabelecido pelas autoridades de transição, haverá, dentro de algumas semanas, a reabertura do espaço político para o regresso pleno das atividades dos partidos políticos na Guiné-Bissau, mediante o processo de regularização dos mesmos”, afirmou.
O enviado especial do presidente da Comissão da União Africana para a crise na Guiné-Bissau defendeu ainda um consenso entre todas as partes interessadas para que o processo chegue ao seu término com a realização de eleições justas, transparentes e inclusivas.
Instado a pronunciar-se sobre a posição da União Africana relativamente à exclusão dos partidos políticos do processo de referendo da nova Constituição, Patrice Trovoada afirmou que a participação dos partidos políticos tem estado sempre na ordem do dia dos encontros mantidos com as autoridades. Recordou ainda que estes são processos em que dificilmente se alcança unanimidade, por serem “dinâmicos e evolutivos”.
O enviado especial defendeu igualmente que a nova Constituição, aprovada em referendo, deve estar, em primeiro lugar, ao serviço dos guineenses e ser respeitada por aqueles que vierem a ser escolhidos pelo povo, permitindo que o sistema evolua da forma mais consensual possível para os cidadãos, e não para interesses de personalidades políticas.
“Foi esse o trabalho que a União Africana tem vindo a desenvolver para que o país possa regressar à estabilidade política”, concluiu.
Por: Aguinaldo Ampa


















