Tribunal de contas: “FALTA DE REGISTOS CONTABILÍSTICOS PREOCUPA BASTANTE O ESTADO”

O presente do Tribunal de Contas, Dionísio Cabi, afirmou na terça-feira, 06 abril de 2021, que neste momento está  a verificar-se um fenómeno: a economia não registada ou seja a ausência de registos contabilísticos. Este fato está a preocupar de modo crescente os Estados e os governos, sobretudo por constituir um fator de distorção do desenvolvimento económico com todos os custos e efeitos negativos que provavelmente lhe estão associados.

Dionísio Cabi falava na abertura do seminário de capacitação dos auditores, verificadores e técnicos do Tribunal de Contas em matéria das demonstrações financeiras, a decorrer de 6 a 10 do mês em curso numa das unidades hoteleiras da capital.

Cabi sustentou que a problemática da falta de registos contabilisticos não é recente nem tão pouco exclusivo de determinados países ou particularmente da Guiné-Bissau, por isso deve constituir a preocupação dos governantes e de todos os setores responsáveis pela prevenção e controlo financeiro, designadamente nas áreas da justiça, da fiscalização e do controlo financeiro.     

Dionísio Cabi referiu que o seminário que se iniciava visa o reforço de competências técnicas do pessoal auditor e verificador da Corte Suprema de Contas proporcionando-lhes conhecimentos para exames das demonstrações financeiras das entidades sob sua jurisdição, sobretudo para assegurar com maior clarividência a posição financeira e os desvios financeiros das entidades.

O responsavel do Tribunal de Contas alertou os seminaristas que, enquanto atores e verificadores, o seminário não deve apenas servir de espaço de aprendizagem das técnicas dos exames das desmonstração financeiras nos processos das auditorias ou de verificação de contas de gerência, mas também deve sobretudo constituir uma oportunidade para a busca de melhores mecanismos de controlo mais eficazes e eficientes, dos desvios dos procedimentos contabilísticos.

Cabi advertiu que as instituições de combate às fraudes económicas devem cooperar de forma ativa na procura de soluções estratégicas que permitam alcançar melhores métodos de controlo e de prevenção de crimes económicos organizados e disfarçados dos métodos de desvios de procedimentos, da omissão de registos contabilísticos entre outras práticas.      

 Por sua vez, o Representante Residente do PUND na Guiné-Bissau, José Levy, sublinhou que os auditores ajudam as organizações do setor público a obter responsabilidades e integridade, melhorar as operações e inspirar confiança entre cidadãos e as partes interessadas.   

José Levy assegurou que a função do auditor do setor público tem as responsabilidades de governança, de supervisão, visão e previsão: “a supervisão trata das entidades do setor público, se estão a fazer o que devem e serve para detetar e deter a corrupção pública, cujo discernimento auxilia os tomadores de decisão ao fornecer uma avaliação independente dos programas políticos, operações e resultados do setor público”.

José Levy aproveitou a ocasião para felicitar o Tribunal de Contas por ter se associado ao PUND e ao evento e reafirmou a continuação da disponibilidade em acompanhar os esforços das autoridades nacionais na consolidação das instituições de supervisão e controlo de Estado.

Por: Carolina Djemé      

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.