UNTG DENUNCIA “MANOBRAS POLÍTICAS” PARA CONTROLAR A ORGANIZAÇÃO SINDICAL 

A União Nacional dos Trabalhadores da Guiné – Central Sindical (UNTG/CS) denuncia ter sido alvo de ataque do poder político. A denúncia tem a ver com a pressão e tentativa de controlar a sua estrutura orgânica, usando o poder de controlo que tem sobre o sistema judicial, afiançando que nunca cederá as “manobras políticas” de controlar o seu destino.

Em nota de advertência sobre violações dos direitos laborais na Guiné-Bissau enviada ao primeiro- ministro, Nuno Gomes Nabiam, a UNTG afirma que o atual governo representa o pior momento da história governativa na Guiné-Bissau, desde primórdios da nossa independência, argumentando que o povo e trabalhadores choram, mas não aparece ninguém capaz de socorrê-los. 

“Qualquer guineense está com espírito no ar, porque não existe segurança para ninguém, não há liberdade de expressão, nem manifestação nem de opinião. Em suma, não há justiça, porque os tribunais foram sequestrados pelo regime político” acusou a organização, lembrando que, apesar de ter enfrentado uma greve por causa da violação sistemática do princípio da legalidade, a corrupção generalizada cujas consequências são incalculáveis na vida dos trabalhadores e povo em geral, a violação permanente de direitos fundamentais, principalmente, o direito a manifestação, aumento de sofrimento da classe trabalhadora, com o aumento abusivo de impostos, a consequente baixa salarial dos mesmos e perda de capacidade de compra, persistem nessa prática governativa absolutista e que mina, consideravelmente, a paz social.

A UNTG afirmou que persistem em perpetuar o “nível altíssimo da corrupção, aniquilamento total do poder judiciário, o aumento de custo de vida  agravado pela subida galopante de preços de todos produtos no mercado, aumento do preço de combustível, de transporte”, acusando o executivo de não dar nenhum sinal que vislumbre aumento do salário na função pública e a definição do salário mínimo nacional.

Neste sentido, a central sindical reunida no dia 14 de junho exige ao Executivo, entre outros pontos, adoção de medidas sérias e responsáveis face ao posicionamento claro da ANP referente a melhoria salarial na função pública e que foi plasmado no OGE-2022, já promulgado pelo Presidente da República, o respeito escrupuloso da Lei n º 3/92, de 6 de Abril (Direito de Reunião e de Manifestação), assim como responsabilizar o Executivo pela brutalidade policial protagonizada pelo Ministério do Interior e da Ordem Pública, através dos principais responsáveis, contra os funcionários do Ministério da Educação que durante 9 meses de trabalho não receberam os seus salários.

Também responsabilizou o Executivo pelas futuras consequências que possam advir, da atuação arbitrária de vários ministérios, principalmente, o da saúde pública contra os sindicalistas desse setor.

A UNTG avisou que, “a qualquer momento”, vai retomar o processo reivindicativo, usando todas as formas legais possíveis de persuadir o Executivo a abster-se de práticas nocivas, principalmente, corrupção, interferência no sistema judicial, perseguições e ameaças à integridade física dos dirigentes sindicalistas.

Por: Tiago Seide

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