Aumento de preço de transporte: MOTORISTAS DEFENDEM INTRODUÇÃO DA TABELA DOS TRANSPORTES PÚBLICOS DA SUB-REGIÃO  

A Federação das Associações dos Motoristas da Guiné-Bissau apelou ao executivo para elaborar uma nova tabela dos transportes públicos, que seja compatível com as tabelas dos restantes países da sub-região. A Federação congratulou-se também com a decisão do governo sobre o aumento dos preços do transporte público e de táxis na sequência da subida dos preços dos combustíveis. A intenção foi transmitida ao Jornal O Democrata pelo presidente da Federação, Caram Cassamá, durante uma entrevista para abordar a decisão do executivo em relação aos transportes públicos.

“O aumento que se verificou é devido à subida dos preços dos combustíveis, mas esperamos que seja feita uma actualização que vai corresponder com tudo, porque os veículos não levam somente gasóleo. Hoje, tudo aquilo que um veículo leva subiu de preço, naturalmente deveria ser feita uma atualização compatível com o nível da sub-região, para termos os mesmos plafons com os restantes países da UEMOA”, defendeu.

“NÃO HAVERÁ PARALISAÇÃO. PEDIMOS QUE CUMPRAM A TABELA”

Segundo explicações de Cassamá, o preço mínimo dos transportes é de 17 francos CFA por quilómetro a nível dos países da União Económica e Monetária do Oeste Africano (UEMOA), por isso, é fundamental que a tarifa dos transportes da Guiné-Bissau seja harmonizada.

A federação tinha exigido ao executivo, desde abril último, altura em que saiu o despacho sobre a subida dos preços dos combustíveis, que aumentasse os tarifários dos transportes públicos, mas essas exigências não foram levadas em conta pelas autoridades competentes.

Cassamá considerou “tardia” a decisão do executivo sobre o aumento dos preços dos transportes, mas revelou que recebeu uma garantia da Direção-geral de Viação que, nos próximos tempos, vai haver uma atualização da tabela dos transportes públicos, uma vez que, desde a última actualização em 2011, apareceram novos bairros em Bissau.

Cassamá assegurou que a Federação das Associações dos Motoristas vai aceitar a nova tabela proposta pela Direcção-Geral de Viação e pediu aos seus associados no sentido de adquirirem a tabela, evitando problemas sobre disparidades de preços dos transportes dos anunciados pela Direcção-Geral de Viação.

“Não haverá paralisação e pedimos aos motoristas que cumpram a decisão, adquirindo a nova tabela”, conclui.

A nova tabela anunciada pela direção-geral de Viação determina que o preço por quilómetro nos transportes públicos interurbanos passe de 14 francos cfa para 19 francos cfa. Os táxis aumentaram a fracção de 250 francos cfa para 300 francos cfa. O ‘toca-toca’ passam de 100 francos cfa para 200 francos cfa.

VIAÇÃO: “NOVA TABELA FOI DETERMINADA NA SEQUÊNCIA DO AUMENTO DOS PREÇOS DOS COMBUSTÍVEIS”

Na entrevista concedida ao Democrata, o presidente da Comissão Técnica de Automobilismo da Direcção-Geral de Viação e Transportes Terrestres do país, Luís Filipe Vaz Mendes, revelou que foi o executivo quem determinou o valor a ser pago por passageiro ao transportador quando percorre um quilómetro, explicando que, após a existência destes dados fornecidos pelo executivo, através do Ministério dos Transportes e Telecomunicações, a Direcção-Geral de Viação estabeleceu a nova tabela dos transportes públicos.

Vaz Mendes nega a existência da pressão por parte dos motoristas e garante que a nova tabela foi determinada na sequência do aumento dos combustíveis e de componentes para as viaturas.

“Foi um processo natural como em toda a parte do mundo: os preços dos combustíveis subiram e de outros componentes que entram na constituição da tarifa, todos subiram, porque não é apenas o gasóleo que conta para a subida do preço dos transportes. Existem custos de amortização, existe vencimento dos condutores, existem pneus e lubrificantes, são componentes que constituem o preço dos transportes públicos”, disse.

O presidente da Comissão Técnica da instituição anunciou que a nova tabela está a ser comercializada desde quarta-feira passada na direção-geral de Viação e cada veículo de transportes que circule nas vias públicas, em serviço de transporte de pessoas, deve ter o novo tarifário para apresentar aos passageiros.

“Quem não tiver a nova tabela estará a cometer uma infração, porque é obrigado a informar ao passageiro as medidas que estão a ser aplicadas no serviço. Por isso, até à próxima quarta-feira todos os motoristas dos transportes públicos devem adquirir uma tabela”, sublinhou.

Entretanto, a introdução da nova tabela deixou os cidadãos indiferentes, devido à situação social da Guiné-Bissau nos últimos tempos, onde os preços dos produtos da primeira necessidade subiram drasticamente.

Uma equipa da reportagem registou opiniões de alguns cidadãos guineenses nas ruas de Bissau. Um jovem estudante universitário mostrou-se revoltado contra a subida dos preços transportes públicos e exigiu que o executivo revogue a medida.

“A subida dos preços dos transportes deixou-me muito mal, porque é uma situação muito difícil pela quantidade de jovens que frequentam as aulas diariamente nas diferentes instituições escolares, sem meios financeiros. Por isso, é urgente o governo assumir o compromisso para adquirir os combustíveis para resolver a situação”, disse o jovem estudante.

Os cidadãos alertaram o executivo que o povo não está preparado para a subida dos preços dos transportes públicos, devido à situação económica que a Guiné-Bissau atravessa.

“A situação é muito preocupante, porque economicamente os cidadãos não estão preparados e pedimos ao governo para abaixar os preços dos transportes e públicos”, apelou outro cidadão que diariamente viaja de toca-toca para o seu local de serviço.

Uma senhora vendedora ambulante lembrou ao governo que os guineenses enfrentam uma crise social desde o surgimento da pandemia de covid-19. Por isso, os cidadãos não vão conseguir aguentar com esta subida dos preços dos transportes públicos. A cidadã alertou que a nova tabela pode causar um “caos social”.

A redação do Jornal O Democrata tentou obter a reação da Associação dos Consumidores de Bens e Serviços da Guiné-Bissau sobre a nova tabela dos transportes públicos, mas sem sucesso. 

Há mais de dois meses que a Guiné-Bissau vive uma subida dos preços dos combustíveis, o que tem originado filas enormes de carros nas poucas estações de venda que ainda dispõem de combustíveis, em Bissau.

A Guiné-Bissau importa quase tudo e está dependente das variações dos preços praticados nos mercados mundiais, que têm aumentado devido à crise energética e à recente guerra na Ucrânia.

Por: Alison Cabral 

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