Setor de Bissorã: CENTRO DE SAÚDE  ESTÁ COM FALTA DE PESSOAL PARA RESPONDER ÀS DEMANDAS DA POPULAÇÃO 

O Centro de Saúde de Bissorã depara-se com falta de técnicos de saúde suficientes para responder às demandas da população que recorre aos  serviços daquele estabelecimento hospitalar. O próprio edifício que alberga o hospital não dispõe de espaço para vários serviços de um centro daquela categoria.

A área sanitária do setor de Bissorã conta com 43 mil habitantes cujas necessidades o  pessoal técnico colocado no Centro não consegue responder de acordo com os dados recolhidos pela equipa de reportagem do Jornal O Democrata.

O centro, de acordo com as mesmas informações, conta com onze enfermeiros do curso superior, sete de curso geral, três médicas, mas apenas uma trabalha neste momento. Conta com um farmacêutico, dois técnicos de laboratório, quatro parteiras, mas apenas duas é que trabalham neste momento. Dispõe ainda de cinco auxiliares de serviços, incluindo motorista e segurança e dois exactores.   

O Centro tem capacidade de internamento de 29 camas. Também conta com serviços de maternidade, enfermaria para homens e para mulheres, tisiologia que ocupa das pessoas com tosse, pediatria, consultas e tratamento ambulatório. 

ADMINISTRAÇÃO PERSPETIVA CONSTRUIR BLOCO OPERATÓRIO E MATERNIDADE

As dificuldades que o centro enfrenta foram reveladas ao repórter pelo seu administrador, Domingos Mussa Barbosa, durante uma entrevista para falar da situação daquele estabelecimento hospitalar que cobre uma das maiores áreas sanitárias do país.

Explicou que assumiu o Centro numa situação muito difícil, contudo disse estar a fazer todos os esforços para que o serviço prestado à população seja digno e consistente, “porque os citadinos desta zona precisam muito de acesso fácil e de atendimento profissional compatível”. 

O responsável realçou os esforços levados a cabo pela equipa de técnicos que na sua maioria, são jovens, sobretudo a dinâmica imprimida no trabalho através de parcerias com organizações não governamentais, bem como o apoio recebido da parte de pessoas de boa vontade em diferentes domínios.

“A população estava a construir uma sala para internamento no período em que assumi o centro, mas devido a falta de meios, o edifício acabou por ruir. Entramos em contato com o deputado da zona e o primeiro-ministro, Nuno Gomes Nabiam, em colaboração com a população local, no sentido de nos apoiar para a conclusão da obra para permitir o alargamento do número de camas para internamento. Nuno Nabiam apoiou-nos e conseguimos erguer o edifício, portanto agora falta equipá-lo”, disse.

Informou que avançaram com a iniciativa da construção da maternidade e do bloco operatório, pelo que solicitaram a ajuda de uma organização italiana “Amigos de Missões” que lhes garantiu o apoio para a construção do edifício para a maternidade e bloco operatório no próximo ano. 

Questionado sobre que mecanismos são usados para a aquisição de medicamentos para fazer face às demandas da população, Domingos Mussa Barbosa assegurou que os medicamentos são comprados com recursos gerados pelo centro.

“Compramos medicamentos para vender e fazer lucro para os pagamentos aos auxiliares de serviços e cobrir outras despesas do centro, em particular o combustível para as duas ambulâncias. Temos uma ambulância que trabalha desde 2008 e outra de 2012. As duas ambulâncias estão totalmente velhas e são levadas à manutenção quase todos os meses e isso mexe profundamente com as economias do centro”, lamenta.    

O administrador disse que a falta de infraestruturas adequadas faz com que os técnicos não consigam dar respostas eficientes aos problemas de saúde apresentados pelos pacientes que recorrem ao centro, por isso defende a iniciativa da população local de ampliar o centro e aumentar o número de técnicos para que possam responder e atender melhor os pacientes. 

Explicou neste particular que o centro evacua os doentes graves para o hospital regional de Mansoa, onde recebem melhor tratamento.

Questionado sobre as doenças registadas com maior frequências no centro, respondeu que as doenças mais frequentes em África são a diarreias e infeções respiratórias agudas, o paludismo e que a Guiné-Bissau não foge à regra, sobretudo aquela zona.

Criticou a interpretação feita pela comunidade local relativamente aos critérios de oferta de medicamentos centro. Segundo ele, “basta ver o cartaz oferta de medicamento, colocado pela ONG Entraide Médicale Internationale (EMI), começam a reclamar, sem no entanto, saber qual é a faixa etária que pode beneficiar dos medicamentos”.

O administrador espelhou que a faixa etária que deve beneficiar dos medicamentos são: as grávidas, as crianças de zero a quatro anos de idade e pessoas com 60 anos. Frisou que a maioria das pessoas não percebeu o critério estabelecido e acaba por acusar os funcionários de vender os medicamentos destinados a oferecer aos pacientes. 

“A partir de cinco anos de idade, a criança deixa de poder beneficiar de medicamentos por oferta, mas sim deve pagar a  consulta e comprar medicamento.

Só crianças de zero a quatro anos, como também pessoas com 60 anos de idade é que podem beneficiar de medicamentos de oferta, a população deve compreender bem essa matéria e deixar de agredir verbalmente os técnicos do centro. Não estamos aqui para penalizar, desprezar e criar conflitos, mas sim para cumprir as recomendações dadas pelos superiores hierárquicos e a própria ONG que oferece esses medicamentos”, enfatizou.

Por: Aguinaldo Ampa

Foto: A.A   

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