Volvidos três dias depois da data em que o executivo liderado por Braima Camará tinha anunciado que começaria a liquidar todos os atrasados de técnicos dos setores da saúde e da educação, a Frente Social, uma organização sindical que congrega os sindicatos da saúde e da educação (SINDEPROF, FRENAPROFE, SINETSA e SINQUASS) disse que o anúncio de Braima Camará “foi uma decepção para a organização”, porquanto “falhou no cumprimento dos prazos” .
O primeiro-ministro, Braima Camará, havia anunciado na sexta-feira, 10 de outubro, que o governo começaria a pagar os trabalhadores dos dois setores a partir desta segunda-feira, 13 de outubro de 2025, depois de presidir aos trabalhos do Diálogo de Alto Nível sobre o Estado de Direito e Instituições de Segurança, uma iniciativa das Nações Unidas.
Na mesma ocasião tinha assinalado que a próxima fase seria reunir-se com os feirantes do Mercado Central para desencravar a situação do Mercado Central de Bissau, restaurado e recuperado há vários anos, ainda assim permanece fechado e _ nacionais não têm acesso a nada, nem ao mercado.
“Não quero que me vejam como primeiro-ministro. Quero que os guineenses olhem para mim como irmão, um homem disponível a dialogar com todos, sem exceção, e ao encontro do povo. Por isso, tomei a iniciativa de promover uma série de encontros de diálogo com os sindicatos dos setores sociais, saúde e educação, e a partir da próxima segunda-feira, o governo começa a resolver os seus problemas, o salário começará a ser pago”, dizia aos jornalistas.
Afirmou que um dos desafios do governo que lidera era resolver os problemas dos funcionários do país, promover reforma do Estado, o que trará mais garantias de sustentabilidade do Estado e racionalidade na transparência e gestão da coisa pública.
Em entrevista à Rádio Sol Mansi esta quarta-feira 15 de outubro, Sene Djassi, presidente da Comissão Negocial da Frente Social, lamentou que o governo tenha falhado, mesmo com as garantias dadas pelo primeiro-ministro.
“Até ao momento, não recebemos nenhum sinal. Foi uma deceção, por o governo não ter cumprido a promessa que o próprio primeiro-ministro fez perante os técnicos da Saúde e da Educação”, lamentou o sindicalista. Contudo alertou que, perante o incumprimento do acordo, a situação poderá conduzir os sindicatos à paralisação dos setores sociais, nomeadamente da Educação e da Saúde, como forma de protesto e de pressão sobre o governo.
“Sempre os sindicatos mostraram a vontade de negociar e temos dado tempo suficiente ao executivo para resolver a situação, mas como não há avanços faremos o que a lei manda. A greve será convocada em breve, depois do pré-aviso. A sua desconvocação ou levantamento dependerá ou apenas acontecerá com a prova de pagamento”, disse.
O sindicalista denunciou ainda a situação dos técnicos de saúde guineenses em formação na Venezuela, que há vários meses não recebem os seus salários, tendo considerado o caso “triste” e “lamentável”.
“A lei é clara: quem quer estudar deve pedir ao Estado e decide conforme as condições. No caso dos técnicos enviados para a Venezuela, é ao contrário. Foi o próprio Estado que os enviou para estudar e agora não lhes paga há quase 18 meses. Isso é triste e lamentável”, criticou.
Redação O Democrata/Sol Mansi





















