A Liga Guineense dos Clubes de Futebol (LGCF) enfrenta uma crise interna após a Comissão de Governação, Auditoria e Conformidade da Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB) declarar que não reconhece a reeleição de Dembo Sissé como presidente da entidade responsável pela organização do Campeonato Nacional.
Embora essa deliberação tenha sido considerada ilegal e sem fundamento jurídico por alguns comentadores, um grupo de 23 clubes decidiu formalizar um abaixo-assinado e convocar uma Assembleia Geral Extraordinária da LGCF para o dia 3 de novembro. O objetivo é definir uma nova data para a realização da Assembleia Geral Eletiva.
A informação foi divulgada por um dos clubes subscritores do abaixo-assinado, consultado pelo Jornal O Democrata nesta sexta-feira, 24 de outubro de 2025. Segundo o documento, os clubes alegam que a convocação está amparada pelo artigo 37.º, n.º 5 dos Estatutos da LGCF, diante da recusa da Mesa da Assembleia Geral em proceder à convocação oficial, mesmo com o número de subscritores superando o mínimo exigido (um terço dos associados).
“Nós, subscritores do abaixo-assinado para a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária da Liga Guineense dos Clubes de Futebol (LGCF), representando mais de um terço dos associados com direito a voto (23 subscritores num universo de 38), exercendo os direitos conferidos pelos artigos 37.º e 38.º dos Estatutos da LGCF, e considerando a Deliberação n.º 1/2025, de 23 de outubro de 2025, da Mesa da Assembleia Geral, que por manobras dilatórias nega por omissão o nosso requerimento sob alegações de verificação de elegibilidade das assinaturas — sem especificar os clubes ou delegados em questão — e exigindo a apresentação de procurações adicionais num prazo de cinco dias, convocamos individualmente todos os associados para a realização da referida Assembleia Geral Extraordinária”, lê-se no documento.
Além da definição de uma nova data para as eleições, os subscritores pretendem discutir:
• A deliberação da Comissão de Governança, Auditoria e Conformidade da FFGB;
• A eleição de uma nova Comissão Eleitoral Independente;
• A aprovação de um calendário eleitoral transparente, em conformidade com os Estatutos e o Regulamento Eleitoral da LGCF;
• A análise do comportamento do presidente da LGCF e da Mesa da Assembleia Geral.
Dembo Sissé, que assumiu a presidência da LGCF em setembro de 2021, sucedendo Fernando Tavares “Bene”, foi reeleito em agosto de 2025 para um segundo mandato até 2029, durante a Assembleia Geral Eletiva da Liga. Sem oposição, Sissé obteve 37 dos 38 votos possíveis, segundo a Comissão Organizadora de Eleições. O único clube que não participou da votação foi o Ajuda Sport Clube (ASC), conforme apurou a seção desportiva do Jornal O Democrata.
Após a posse dos novos órgãos sociais, Sissé viajou para a Europa, com destaque para Portugal e Espanha, em busca de parcerias com entidades ligadas ao futebol. Em um encontro com o presidente da Liga Portuguesa de Futebol, Reinaldo Teixeira, Sissé esteve acompanhado por Adilé Sebastião — dirigente desportivo banido pela FFGB por mau comportamento durante o último Congresso Ordinário da Federação, em 2024.
Segundo fonte confidencial ouvida pelo O Democrata, a presença de Adilé Sebastião, crítico da gestão da FFGB, nesse encontro não foi comunicada ao presidente da Federação, Carlos Mendes Teixeira. Poucos dias após o encontro, a Comissão de Governação decidiu não reconhecer a reeleição de Sissé.
De volta ao país desde a semana passada, Sissé ainda não se pronunciou sobre a crise. Em entrevista ao O Democrata, o presidente da Mesa da Assembleia Geral da LGCF, Justino Sá, afirmou que não supervisiona nenhum clube ou associado de forma estatutária. Segundo ele, a missão da Comissão de Governança é exclusivamente fiscalizar a gestão do presidente da FFGB, Carlos Mendes Teixeira “Caíto”.
“A missão da referida comissão é estritamente da Federação e não tem qualquer relação com os clubes. Como pode um órgão não jurisdicional tomar uma deliberação sem competência para tal? Isso é um crime”, declarou.
Sá acrescentou que a deliberação da Comissão de Governança da FFGB é inexistente, por não possuir fundamento legal nem factual.
Por: Alison Cabral





















