O chefe do Executivo de Transição, Ilídio Vieira Té, reconheceu esta terça‑feira, 21 de abril de 2026, a existência de um processo judicial contra o presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, no Tribunal Militar Superior.
Segundo Ilídio Vieira Té, cabe agora a essa instância judicial adotar as medidas e os mecanismos previstos na lei, garantindo independência e imparcialidade de forma objetiva, para que o processo tenha um desfecho saudável e permita aos cidadãos saber se existe ou não fundamento contra o visado.
Ilídio Vieira Té falava aos jornalistas durante uma conferência de imprensa de balanço das Reuniões de Primavera do Banco Mundial (BM) e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
O chefe do Governo defendeu ainda que é necessário que os guineenses preservem a “guineendadi” e a união, alertando que “as divergências políticas estão a atrasar o país e a destruir famílias”.
“A Guiné‑Bissau é um bem comum que pertence a todos”, realçou.
O governante assegurou também que as informações que circulam sobre um alegado impedimento de saída e circulação do cidadão e antigo candidato presidencial Fernando Dias da Costa não correspondem à verdade. Segundo afirmou, em nenhum momento houve qualquer impedimento por parte do Governo, quer ao nível nacional, quer para deslocações ao estrangeiro.
“Enquanto cidadão, pode circular livremente”, afirmou, acrescentando que nunca existiu qualquer interdição desde que Fernando Dias da Costa se refugiou, por livre vontade, na Embaixada da Nigéria na Guiné‑Bissau.
“Mesmo agora, pode viajar livremente para o país que quiser. O caminho está livre, sem qualquer impedimento. É bom que isso fique bem claro”, assegurou.
Ilídio Vieira Té informou ainda que o Governo está a “trabalhar afincadamente” para cumprir o decreto do Presidente da República de Transição que fixa a realização das eleições simultâneas para o dia 6 de dezembro do corrente ano. Segundo frisou, os cidadãos nacionais são livres de se candidatar, incluindo o ex‑Presidente da República Umaro Sissoco Embaló, deposto a 26 de novembro de 2025.
“Ele pode concorrer sem problema, desde que haja garantias de segurança por parte das autoridades militares”, afirmou.
O chefe do Executivo referiu igualmente a existência de um processo em curso nas Alfândegas, no âmbito da luta contra a corrupção, no qual algumas pessoas foram detidas. Para Ilídio Vieira Té, este facto demonstra a determinação do Governo em combater essa prática.
“As pessoas suspeitas estão sob alçada da Justiça e cabe a essa instância fazer o seu trabalho. Já fizemos o que nos compete, denunciando os atos praticados nas alfândegas, e as entidades competentes assumiram o processo para fazer justiça”, sublinhou.
Relativamente ao assassinato do ativista Vigário Luís Balanta, o chefe do Governo lembrou que o Executivo emitiu um comunicado a condenar o “assassinato bárbaro” e “cruel”, tendo convocado as entidades competentes na área da investigação, nomeadamente a Polícia Judiciária (PJ) e o Serviço de Inteligência Criminal (SIC), para realizarem um trabalho rigoroso que permita identificar os autores do crime, julgá‑los e condená‑los.
Por: Aguinaldo Ampa





















