APESAR DE ESTÁVEL, BIODIVERSIDADE ENFRENTA PRESSÕES CRESCENTES NA GUINÉ-BISSAU 

A diretora-geral do Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas (IBAP), Aissa Regalla de Barros, alertou a população para a necessidade de reforçar a conservação das áreas protegidas do país.

A responsável fez a declaração esta sexta-feira, 22 de maio de 2026, durante uma palestra com estudantes de diferentes universidades, realizada no âmbito das celebrações do Dia Mundial da Biodiversidade, assinalado este ano sob o lema “Agir localmente para um impacto global”.

Na ocasião, Aissa Regalla destacou que as áreas protegidas podem contribuir para a recuperação e expansão de espécies ameaçadas noutras regiões em risco.

A diretora-geral do IBAP afirmou ainda que, a nível mundial, a situação da biodiversidade é preocupante, razão pela qual a data é celebrada anualmente para sensibilizar a população sobre a importância da sua preservação. Sublinhou que a biodiversidade é uma fonte essencial de vida, sobretudo num país como a Guiné-Bissau, fortemente dependente dos recursos naturais.

Segundo Aissa Regalla, a situação da biodiversidade no país mantém-se relativamente estável, graças às várias pesquisas conduzidas pelo IBAP para compreender a dinâmica populacional, a abundância e a distribuição das espécies. Acrescentou que esses estudos permitem recolher dados relevantes e identificar espécies ameaçadas ou em declínio.

Apesar dos avanços registados, a responsável reconheceu a existência de desafios persistentes, destacando a recente morte de abutres no país, que considera um sinal preocupante para a conservação da biodiversidade.

A diretora revelou ainda que o IBAP está a recolher novos dados para avaliar o estado atual da biodiversidade nacional e o contributo da Guiné-Bissau para a preservação global das espécies.

Aissa Regalla alertou também que vários ecossistemas do país, sobretudo os florestais, enfrentam sérias ameaças devido a práticas agrícolas, em particular a agricultura itinerante associada ao cultivo do caju.

Segundo explicou, essa prática tem provocado a redução das áreas florestais, transformando gradualmente a Guiné-Bissau de um país predominantemente florestal em um país de savana.

A responsável chamou ainda a atenção para as pressões sobre o meio marinho, nomeadamente a sobrepesca e o aumento do nível médio do mar, fatores que têm impactos significativos nas zonas costeiras.

Sobre a morte de abutres, informou que o IBAP pretende mobilizar novamente parceiros de conservação para investigar as causas e encontrar soluções para travar esta ameaça, considerada grave para a biodiversidade nacional.

Por: Carolina Djeme

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